As Consequências do Consumo Excessivo de Álcool
O uso excessivo de álcool está ligado a uma variedade de problemas de saúde que se estendem além do fígado. Doenças hepáticas, acidentes de trânsito, incidentes de violência, câncer e doenças cardiovasculares são apenas algumas das questões que preocupam as autoridades de saúde em todo o mundo, afetando, muitas vezes, populações mais jovens.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica tanto o alcoolismo quanto a dependência de drogas como doenças sérias, o que reforça a necessidade de conscientização sobre os efeitos nocivos dessas substâncias. Para isso, foi estabelecido o dia 20 de fevereiro como o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, uma data importante para debater e educar a população sobre os riscos associados ao uso de drogas e álcool.
Um relatório da Fiocruz, divulgado no final de 2024, revela que o consumo de álcool gera um custo estimado de R$ 18 bilhões anuais ao Brasil, além de resultar em 12 mortes a cada hora. Para o Sistema Único de Saúde (SUS), os gastos para tratar doenças relacionadas ao consumo de álcool ultrapassam R$ 1 bilhão por ano, um número alarmante que destaca a urgência da questão.
A psiquiatra Bruna Laursen, do Hospital Geral de Taipas, elucida algumas das principais consequências do abuso de álcool e drogas. “Normalmente, quando se fala sobre álcool, o foco recai sobre o fígado ou o risco de overdose. Contudo, os danos mais sérios geralmente ocorrem no cérebro e afetam nossa saúde mental”, afirma. “Pesquisas recentes, por meio de revisões sistemáticas, identificaram quatro tipos graves de danos mentais.”
O primeiro deles, segundo a especialista, é o comprometimento cognitivo e da memória. “O álcool pode causar perda de memória, dificuldade de concentração e aumenta o risco de demência”, explica. Esses efeitos são preocupantes, uma vez que podem afetar diretamente a qualidade de vida e a capacidade de funcionamento diário dos indivíduos.
Além disso, Bruna alerta que o consumo de álcool no Brasil é alarmante. “Sessenta e seis por cento dos brasileiros adultos já consumiram álcool em algum momento de suas vidas. Cerca de 30% consumiram nos últimos 30 dias. E aproximadamente 16% apresentam um padrão de consumo considerado abusivo, ou seja, um em cada seis brasileiros consome álcool em quantidades que representam riscos à saúde”, destaca.
Esses dados revelam a urgência de promover a conscientização sobre os perigos do consumo excessivo de álcool, que também impacta a vida profissional das pessoas. De acordo com a Fiocruz, o uso inadequado do álcool tem consequências negativas no trabalho, como queda na produtividade, faltas frequentes, licenças médicas e até aposentadorias precoces. A combinação destes fatores não só afeta a saúde mental e física dos indivíduos, mas também prejudica a economia nacional e a sociedade como um todo.
É essencial que a sociedade, juntamente com as autoridades de saúde, intensifique os esforços para combater essa epidemia silenciosa. A informação e a educação são ferramentas fundamentais para reduzir o consumo excessivo de álcool e suas consequências desastrosas. O desafio é grande, mas a conscientização pode salvar vidas e melhorar a saúde da população brasileira.

