Queda nas Importações Impulsiona Resultados Positivos
A balança comercial brasileira apresentou um superávit de US$ 4,3 bilhões em janeiro de 2024, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Esse resultado representa o segundo maior superávit para o mês de janeiro desde o início da série histórica, apenas atrás do registrado em 2023. O aumento no superávit foi impulsionado pela redução das importações, que caiu quase 10% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Em janeiro, as exportações totalizaram US$ 25,153 bilhões, uma leve queda de 1% quando comparadas a janeiro de 2023. Já as importações somaram US$ 20,810 bilhões, registrando uma redução de 9,8% no mesmo período.
Os números demonstram que o valor das exportações é o terceiro melhor para meses de janeiro desde a criação da série histórica em 1989, perdendo apenas para os anos de 2023 e 2024. Do mesmo modo, as importações também tiveram um desempenho relevante, ficando atrás somente do mesmo mês do ano anterior.
Desempenho por Setor Econômico
Analisando as exportações por setores, os dados mostram algumas variações significativas. No setor agropecuário, as exportações apresentaram leve alta de 2,1%, embora tenha ocorrido uma diminuição de 3,4% no volume e um aumento de 5,3% no preço médio. Na indústria extrativa, houve uma queda de 3,4%, apesar do aumento de 6,2% no volume, o que indica um recuo de 9,1% no preço médio. Por outro lado, a indústria de transformação viu uma diminuição de 0,5%, com uma queda de 0,6% no volume e de 0,1% no preço médio.
Principais Produtos e Setores Atingidos
A queda nas exportações foi puxada por alguns produtos-chave. No setor agropecuário, o café não torrado teve uma redução de 23,7%, enquanto o algodão bruto caiu 31,2% e os grãos de trigo e centeio não moídos registraram uma queda de 33,6%. Na indústria extrativa, os óleos brutos de petróleo caíram 7,8% e o minério de ferro teve uma queda de 8,6% em suas exportações. Já na indústria de transformação, produtos como óxido de alumínio, exceto corindo artificial, sofreram uma queda acentuada de 54,6% nas exportações, seguidos por açúcares e melaços que diminuíram em 27,2%, e o tabaco que viu um recuo de 50,4%.
Por outro lado, o agronegócio não deixou de apresentar suas vitórias, com as exportações de soja crescendo impressionantes 91,7% em comparação a janeiro do ano passado, em parte devido à antecipação de embarques. As vendas de milho não moído também aumentaram, com uma alta de 18,8%.
Importações e Previsões Futuras
A queda nas importações está relacionada a fatores como a desaceleração da economia e a diminuição dos investimentos. Produtos como cacau, óleos brutos de petróleo e motores não elétricos mostraram quedas significativas nas importações, com recuos de até 86,3% para o cacau torrado.
O MDIC projetou para 2024 um superávit comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, com as exportações previstas para fechar o ano entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões e importações variando entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões. Essas previsões são atualizadas trimestralmente e, segundo o MDIC, novas estimativas detalhadas sobre o saldo comercial deverão ser divulgadas em abril.
No ano anterior, a balança comercial registrou um superávit de US$ 68,3 bilhões, enquanto o recorde foi em 2023, com um incrível superávit de US$ 98,9 bilhões. Vale ressaltar que as estimativas do MDIC são mais otimistas do que as apresentadas por instituições financeiras. O Boletim Focus, uma pesquisa semanal do Banco Central, sugere que a balança comercial deverá encerrar 2024 com um superávit de US$ 67,65 bilhões.

