Estratégia do Senador Foca na Política Tradicional
BRASÍLIA – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se posiciona como pré-candidato à presidência, está direcionando suas ações para a classe política, em vez de buscar uma aproximação com a esfera militar. Fontes próximas ao parlamentar, consultadas pelo Estadão/Broadcast, afirmam que não há registro de diálogos de Flávio com membros das Forças Armadas.
Essa postura se diferencia da estratégia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que desde sua pré-campanha indicava a intenção de preencher seu governo com “generais cinco estrelas”, sinalizando uma forte presença militar.
Em busca de apoios, Flávio já se reuniu com diversas lideranças, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda. Vale lembrar que esses partidos ainda estão aguardando um posicionamento mais claro sobre o cenário político. O PSD, liderado por Gilberto Kassab, também articula a possibilidade de apresentar um candidato alternativo. Para fortalecer suas alianças, Flávio designou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como seu coordenador político, que, por sua vez, retirou-se da disputa pelo governo do Rio Grande do Norte.
Além disso, Flávio busca mudar a percepção do mercado financeiro em relação à sua candidatura. Para isso, ele encarregou o empresário Filipe Sabará de estabelecer conexões na região da Faria Lima e entre os empresários. Os nomes que compõem o “entorno econômico” do senador incluem figuras como Adolfo Sachsida e Gustavo Montezano.
Outra iniciativa do senador envolve a política internacional. Recentemente, Flávio realizou uma viagem a Israel e ao Bahrein, onde se reuniu com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e outros representantes da direita conservadora. Ele também está organizando futuras visitas a países da América Latina, como México e Argentina.
Aliados ressaltam as diferenças entre os perfis de Flávio e Jair Bolsonaro. Enquanto Jair atuou no Exército até 1988, quando se aposentou e iniciou sua trajetória política como vereador do Rio de Janeiro, Flávio nunca fez parte das Forças Armadas, optando por se dedicar à vida política e empresarial desde cedo.
Com formação em Direito, Flávio começou sua carreira política aos 21 anos, assumindo o cargo de deputado estadual no Rio de Janeiro em 2003. Naquele período, seu pai já estava inserido no cenário político há 15 anos.
Flávio, que está há 23 anos na vida política, viveu a experiência de conviver com militares durante o governo de Jair Bolsonaro, um período marcado por conflitos entre o núcleo familiar e os militares.
O general da reserva Carlos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo durante a gestão de Jair, declarou não ter conhecimento sobre contatos de Flávio com militares ativos e criticou a participação deles no governo anterior. Contudo, ressaltou que um eventual ingresso de militares na equipe de Flávio seria uma decisão pessoal e não institucional. “Essas participações, assim como a minha, são muito pessoais. Não vejo isso como um interesse coletivo ou institucional. A experiência com o pai dele foi negativa”, comentou ao Estadão/Broadcast.
Sobre a possibilidade de militares se candidatarem, Carlos Santos Cruz afirmou que isso não representa politicagem e que é uma parte natural do processo político. “Não tem problema nenhum. A candidatura de militares ou de profissionais de outras áreas não é politicização, é política. O desafio é evitar que politicagens interfiram nas instituições”, concluiu.

