Exigência de Transparência nas Ações de Segurança
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), impôs um prazo de 15 dias para que o governo do Estado do Rio de Janeiro envie todas as imagens e gravações obtidas durante a megaoperação realizada nos Complexos da Penha e do Alemão. Esta operação, que ocorreu no final de outubro, resultou em mais de 120 fatalidades, o que acendeu um alerta sobre a conduta das forças de segurança. A decisão foi formalizada na quarta-feira (4) e busca trazer à luz possíveis irregularidades cometidas durante a ação.
A determinação requer que o material seja enviado à Polícia Federal (PF), que será encarregada da perícia técnica, incluindo a transcrição das gravações e a elaboração de um laudo detalhado. O objetivo principal é esclarecer quaisquer anormalidades na operação, além de assegurar o cumprimento de orientações anteriores já estabelecidas pela Corte. Essa medida é parte da ADPF 635, popularmente conhecida como “ADPF das Favelas”, que investiga a atuação das forças de segurança nas comunidades cariocas.
O ministro Moraes assumiu a relatoria dessa ação após a saída do colega Luís Roberto Barroso. Em sua decisão, Moraes destacou que as diferentes manifestações apresentadas nos autos, que incluem pedidos variados e informações, por vezes conflitantes, apontam que há a necessidade de mais esclarecimentos. “Ainda são necessários esclarecimentos complementares para a análise da ‘Operação Contenção’ e do cumprimento da decisão proferida no âmbito desta ADPF”, ressaltou o ministro em seu despacho.
Além disso, Moraes exigiu que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) forneça esclarecimentos sobre sua atuação durante a megaoperação. O órgão deverá explicar de que maneira foi realizado o controle externo em cada fase da ação, justificando também o porquê de o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) ter ficado responsável pela fiscalização, em vez do GAESP (Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública). Essa questão é crucial para entender as dinâmicas de supervisão e accountability nas operações de segurança pública no estado.
A medida adotada pelo STF não é um caso isolado. Nos últimos anos, o Rio de Janeiro tem sido palco de intensas discussões sobre a atuação das forças de segurança, especialmente em áreas vulneráveis, onde as operações frequentemente resultam em confrontos violentos. A pressão por maior transparência e responsabilidade nas ações policiais tem crescido, principalmente em virtude do elevado número de mortes em operações, o que leva a questionamentos sobre a eficácia e os métodos empregados por essas instituições.
A atuação do STF, nesse contexto, se coloca como um mecanismo de controle das ações do Estado, permitindo que a sociedade tenha acesso a informações que possam esclarecer a legitimidade das operações realizadas. Com isso, espera-se que a decisão de Moraes ajude a delinear um caminho mais claro para a condução de futuras operações de segurança, permitindo uma reflexão aprofundada sobre a prática policial e seus efeitos nas comunidades.

