A Importância dos Blocos de Saúde Mental no Carnaval
No Rio de Janeiro, o carnaval de rua se transforma em um palco de inclusão e luta antimanicomial. Os tradicionais blocos de saúde mental, já com suas datas confirmadas, desfilam por diversas regiões da cidade, reunindo usuários da rede de atenção psicossocial, familiares, profissionais de saúde e moradores locais. Com sambas-enredo que tratam de temas como diversidade, cidadania e o direito ao cuidado em liberdade, essas agremiações provam que a maior festa popular do Brasil é também um espaço de conscientização e combate a estigmas e preconceitos.
Durante todo o ano, os blocos realizam atividades permanentes que vão além da folia tradicional. Oficinas de música, confecção de fantasias, artesanato e percussão são apenas algumas das ações que funcionam como verdadeiros espaços de convivência e cuidado. Essas iniciativas fortalecem vínculos, estimulam a expressão artística e ampliam o diálogo na sociedade sobre inclusão social, respeito às diferenças e cuidado coletivo — tudo isso celebrado intensamente durante os desfiles.
A Secretaria Municipal de Saúde destaca a relevância desses blocos, que cumprem um papel significativo na sociedade. Segundo Hugo Fagundes, superintendente de Saúde Mental, “essa iniciativa reafirma que pessoas em sofrimento psíquico têm direito à cidade, à cultura e à alegria. Os blocos de saúde mental se configuram como espaços de expressão, pertencimento e cidadania, essenciais para uma política de cuidado em liberdade”.
Agenda dos Blocos de Saúde Mental
Os desfiles deste ano têm início em 6 de fevereiro, com o bloco Zona Mental, que se concentra às 17h na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu. O enredo “Meu nordeste, meu sertão: Do agreste à Zona Oeste, o batuque da emoção” propõe um diálogo entre as tradições culturais nordestinas e a realidade da Zona Oeste do Rio, um território repleto de famílias migrantes e tradições populares.
Logo após, no dia 8 de fevereiro, o bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! se apresenta às 15h na Avenida Pasteur, na Urca, em frente à Unirio. Com o enredo “O cavalo azul do cuidado em liberdade e a chama acesa de Franco Basaglia”, esta agremiação traz à tona a história da reforma psiquiátrica, unindo arte e memória no combate ao estigma e na valorização da vida.
Em 10 de fevereiro, o Império Colonial desfila nas ruas ao redor da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. O bloco homenageia Arthur Bispo do Rosário, um artista que também foi marinheiro e boxeador, com o enredo “Pelos 7 ares da imaginação”, ressaltando sua importância para a arte brasileira.
Para encerrar a programação, no dia 12 de fevereiro, o Loucura Suburbana se concentra às 16h no Instituto Municipal Nise da Silveira, no Engenho de Dentro. Com 26 anos de história, o bloco apresenta um enredo que explora três eixos — Baluartes, Território e Loucura — celebrando a ancestralidade e a identidade da agremiação, além de fazer uma ocupação simbólica do espaço urbano.
Programação dos Blocos Oficiais de Saúde Mental
- Zona Mental
6 de fevereiro, às 17h
Praça Guilherme da Silveira, Bangu - Tá Pirando, Pirado, Pirou!
8 de fevereiro, às 15h
Avenida Pasteur, Urca (altura da Unirio) - Império Colonial
10 de fevereiro, às 14h30
Praça Nossa Senhora de Fátima, Jacarepaguá - Loucura Suburbana
12 de fevereiro, às 16h
Instituto Municipal Nise da Silveira, Engenho de Dentro

