Transformando Cidades em Destinos Turísticos Inteligentes
Repensar o turismo além da simples promoção de atrativos é um dos principais desafios que as cidades contemporâneas enfrentam. No mais recente episódio do podcast Destinos ES, a pesquisadora Josy Anne Almeida, especialista em Destinos Turísticos Inteligentes (DTI), trouxe reflexões valiosas sobre como a tecnologia, a governança e a inclusão podem não só fortalecer o turismo, mas também melhorar a qualidade de vida dos residentes nos destinos.
Capixaba, formada em jornalismo e doutoranda em Turismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Josy também é mestre pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e teve seu trabalho reconhecido no âmbito nacional. Em 2024, recebeu o Prêmio Mestre Destaque, conferido pela Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo (ANPTUR). “Contribuir para o turismo sempre foi um sonho meu”, destacou.
No decorrer da conversa, Josy explicou que o conceito de cidades inteligentes não é algo novo. “Esse conceito remonta aos anos 1990 e visa desenvolver as cidades para resolver problemas urbanos globais, como o trânsito e a gestão administrativa, utilizando tecnologias de informação e comunicação”, comentou.
Com o avanço da internet e, mais recentemente, a aceleração provocada pela pandemia, esses processos se tornaram ainda mais relevantes. “A partir do surgimento da internet, a implementação de tecnologias voltadas para o turismo se fortaleceu, e a pandemia acelerou os processos digitais muito rapidamente”, enfatizou.
Em 2013, a Espanha deu um passo decisivo ao criar o conceito de Destinos Turísticos Inteligentes (Smart Tourism Destinations), através da Segittur. “A proposta era focar em como o turismo poderia melhorar a qualidade de vida das pessoas que residem nas cidades, ao mesmo tempo que aprimorava as experiências turísticas”, explicou Josy. A partir dessa iniciativa, surgiu o modelo dos Destinos Turísticos Inteligentes, que se sustenta em cinco pilares: governança, inovação, tecnologia, sustentabilidade e acessibilidade.
Após a pandemia, muitos destinos passaram a adotar esses indicadores como parte de suas estratégias para a recuperação do turismo. “Na América Latina e em várias partes do mundo, os destinos começaram a incorporar esse modelo para recuperar a demanda”, afirmou. No entanto, Josy não hesitou em destacar a importância de adaptar essas estratégias à realidade local. “Na América Latina, enfrentamos desafios únicos, como a questão da segurança e a infraestrutura, que podem ser diferentes das situações encontradas em destinos europeus”, observou.
Na sua pesquisa de mestrado, Josy analisou experiências de diversas cidades, como Córdoba, na Argentina; Medellín, na Colômbia; além de Curitiba e Vila Velha, no Brasil. “Esses destinos se destacaram de alguma forma no cenário internacional”, disse.
Recentemente, Vila Velha ganhou notoriedade ao ser reconhecida por voto popular na Feira de Destinos Inteligentes em 2024. “Havia uma sensação de que algo estava mudando, especialmente em relação à sustentabilidade, embora ainda existam pontos de atenção na infraestrutura do município”, avaliou Josy.
Ao falar sobre sua ligação com o Espírito Santo, a pesquisadora não escondeu seu carinho pelo estado. “Sou apaixonada por Vila Velha, especialmente pelo Convento da Penha. Tenho vontade de conhecer as ilhas Pituã e Itatiaia, que parecem incríveis. Também adoro Domingos Martins, Santa Teresa, Venda Nova, o Grande Buda de Ibiraçu, além das praias, da gastronomia e do patrimônio capixaba”, concluiu.
A participação da pesquisadora é um lembrete de que o futuro do turismo requer planejamento e inovação. Mais importante ainda, é preciso que as cidades sejam pensadas para os que nelas residem – e, consequentemente, tornam-se mais atraentes para os visitantes.
Ouça a conversa completa no podcast.

