Mudanças na secretaria de Educação do Rio de Janeiro
O governo do Rio de Janeiro anunciou a exoneração de 23 servidores comissionados da Secretaria de Educação, um movimento que reflete a turbulência política entre o governador Cláudio Castro e o presidente da Assembleia Legislativa, André Bacellar. Nos bastidores, a troca da secretária é vista como uma decisão inevitável e já esperada, especialmente após a ruptura entre Castro e Bacellar no ano anterior. Essa ruptura se acentuou quando Bacellar, atuando como governador em exercício, tomou a polêmica decisão de exonerar Washington Reis (MDB) do cargo de secretário de Transportes.
Durante o segundo semestre do ano passado, a relação entre os dois se deteriorou, caracterizando uma verdadeira “guerra fria”. Bacellar, em resposta às tensões, adiou a votação de pautas consideradas prioritárias pelo Palácio Guanabara. Com a aproximação das eleições, Castro parece ter decidido que era o momento certo para reestruturar sua equipe, aproveitando a saída de outros 15 secretários que também se candidatarão nas próximas eleições.
Nos corredores da Assembleia, as exonerações são interpretadas como um claro sinal do Palácio, que busca reafirmar sua posição diante das desavenças com Bacellar. Embora as demissões não tenham afetado diretamente os principais cargos da administração, elas representam um duro golpe na subsecretaria de Gestão e Ensino, que sofreu a perda de 18 funcionários em um único dia. O órgão, liderado por Joilza Rangeu Abreu, que é uma aliada de Bacellar, enfrentará agora um desafio considerável para manter a continuidade dos serviços prestados. Joilza, que apoiou a reeleição de Bacellar, tem laços diretos com o parlamentar, uma vez que seu filho trabalhou em seu gabinete até o ano passado.
Além disso, é importante destacar que pelo menos seis dos exonerados são oriundos de Campos dos Goytacazes, um bastião eleitoral de Bacellar. A relação entre esses servidores e o político local indica que as mudanças não são meras questões administrativas, mas também uma estratégia política para fortalecer a posição do governo no cenário eleitoral em curso. A movimentação no governo do estado é um reflexo das dinâmicas políticas que permeiam a administração pública e o ambiente eleitoral, onde alianças e desavenças moldam o futuro político dos envolvidos.

