Decisões Judiciais e Consequências para o Setor de Alimentação
Nos últimos dias, o setor de vale-alimentação e refeição foi agitado por decisões judiciais que desafiam novas regulamentações. Nesta terça-feira, 27, a Justiça Federal de São Paulo concedeu uma liminar à Pluxee, permitindo que a empresa suspenda a fiscalização e possíveis punições do governo federal. Essa é a terceira vez em menos de uma semana que uma grande operadora no setor consegue uma liminar contra o decreto que regulamenta o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
A decisão do juiz Guilherme Markossian de Castro Nunes, da 10ª Vara Cível Federal, é emblemática. Para ele, o uso de mecanismos estatais de controle de preços e a interferência direta nos contratos firmados entre empresas privadas ferem princípios fundamentais da legalidade e da liberdade econômica. Além disso, a aplicação imediata das novas regras a contratos já existentes gera insegurança jurídica e compromete a autonomia dos envolvidos.
A Pluxee junta-se a outras empresas, como a Ticket e a VR, que anteriormente também conseguiram decisões favoráveis semelhantes. As normas que estão sendo contestadas foram estabelecidas por um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro do ano passado e visam reorganizar o funcionamento do PAT.
Novas Regras e Limitações Impostas
As novas diretrizes do governo fixaram um teto de 3,6% para as taxas cobradas pelas operadoras de vale-refeição e vale-alimentação em supermercados e restaurantes. Além disso, estabeleceu-se um prazo de 15 dias para o repasse dos valores aos estabelecimentos, reduzindo consideravelmente o que antes era um prazo que poderia chegar a 30 dias. Na prática, até então, não havia regulamentação sobre as taxas ou os prazos no PAT.
Além dessas mudanças, a norma também limita a tarifa de intercâmbio a apenas 2%, proíbe a cobrança de taxas adicionais e determina a adoção total da interoperabilidade entre bandeiras. Um aspecto importante é que, num período de até um ano, todos os cartões de benefício terão que ser aceitos em todas as máquinas de pagamento.
A Reação da Pluxee e do Governo
A Pluxee, ao se pronunciar sobre a decisão judicial, expressou satisfação, destacando que a liminar assegura a continuidade de suas operações e evita impactos diretos no setor de benefícios de alimentação e refeição. Em nota, a empresa declarou que a decisão “reforça princípios essenciais como a legalidade, a livre iniciativa, a segurança jurídica e a proteção dos contratos vigentes”.
Por outro lado, o Ministério do Trabalho e Emprego ainda não foi oficialmente informado sobre a decisão, mas anunciou que planeja recorrer assim que receber a comunicação formal da Justiça.
Um Cenário de Conflito e Desafios Legais
As decisões judiciais que têm surgido refletem um embate entre o governo e as principais operadoras do setor de vale-alimentação. O decreto que fundamenta as novas regras foi aprovado pelo Congresso em 2022 com a intenção de aumentar a concorrência e minimizar os custos no mercado de benefícios. No entanto, representantes das empresas afirmam que o decreto extrapolou os limites legais ao introduzir medidas que não eram previstas na legislação aprovada.
Assim, o cenário se torna ainda mais complexo à medida que as empresas buscam a proteção de seus interesses em um ambiente regulamentar que se mostra dinâmico e desafiador. O desfecho dessa disputa poderá ter implicações significativas tanto para as operadoras quanto para os trabalhadores que dependem dos benefícios oferecidos pelo PAT.

