Desligamentos na Alta Direção do IBGE
A crise interna no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se agrava com a saída de importantes figuras da equipe responsável pelas Contas Nacionais, a apenas um mês da divulgação do PIB de 2025. A pesquisadora Rebeca Palis foi destituída do cargo de coordenadora, conforme noticiado pela colunista Míriam Leitão, do GLOBO. A decisão desencadeou a saída de três servidores da divisão que cuida dos cálculos do PIB, levantando preocupações sobre possíveis atrasos em revisões e projetos em andamento.
Um dos primeiros a se desligar foi Cristiano Martins, que atuava como gerente de Bens e Serviços e seria o sucessor de Rebeca. Seu pedido de exoneração foi uma forma de solidariedade à coordenadora. Na sequência, também deixaram seus cargos Claudia Dionísio, responsável pelas Contas Nacionais Trimestrais, e Amanda Tavares, gerente substituta. A perda de profissionais experientes enfraquece a liderança de uma das divisões mais importantes do IBGE.
Rebeca Palis, que estava na função há 11 anos, foi uma auxiliar essencial do ex-diretor Roberto Olinto, e sua promoção ao cargo de coordenadora em 2014 foi vista como um passo natural, dado seu profundo conhecimento técnico.
Os Desdobramentos das Exonerações
Apesar de seus desligamentos, todos os servidores demitidos permanecem no instituto, mas não ocupam mais cargos de gerência. Funcionários consultados, que preferiram não ser identificados, afirmam que o cálculo do PIB trimestral continua normalmente, mas as exonerações podem criar desafios na divulgação dos resultados. A equipe se prepara para a apresentação do PIB referentes ao ano passado, que está agendada para o dia 3 de março.
As exonerações são vistas por muitos como uma possível retaliação contra gerentes e coordenadores que assinaram uma carta de repúdio às ações da atual gestão de Pochmann. A gestão tem enfrentado críticas desde 2024, em um cenário de crise que parece se agravar.
Posição do IBGE e Impactos Futuros
O IBGE anunciou que Ricardo Montes de Moraes assume a coordenação das Contas Nacionais, mas ainda não divulgou novos nomes para as outras gerências que ficaram vagas. O órgão não se manifestou sobre o impacto dessas mudanças no cronograma de divulgação do PIB.
Os funcionários expressam preocupação com a situação, já que as exonerações podem afetar a atualização do ano-base do Sistema de Contas Nacionais, que passará de 2010 para 2021. Este processo envolve a revisão de metodologias de cálculo, a incorporação de novas bases de dados e a atualização de bases históricas, o que pode ser prejudicado pela saída de gerentes experientes.
O sindicato que representa os servidores do IBGE criticou a gestão pela destituição de Rebeca nesse momento delicado. Em uma nota, o sindicato afirmou que a mudança de coordenação durante um processo tão crucial deveria ter sido realizada com mais cuidado, sugerindo que a falta de uma transição adequada e dialogada com a ex-coordenadora poderia trazer problemas para o futuro institucional do IBGE.
Insegurança e Crise Interna
A situação no IBGE não é nova. O ano passado já havia sido marcado por uma série de exonerações, refletindo as tensões entre a equipe técnica e a administração de Pochmann. As recentes saídas nas Contas Nacionais fazem parte de um padrão de desligamentos em outras áreas do instituto, incluindo gerentes de Comunicação Social, que foram substituídos por novos servidores.
Um funcionário anônimo comentou sobre a incerteza quanto a novas exonerações, afirmando que a atual gestão tem passado a mensagem de desconfiança e descontentamento com a equipe técnica. A possibilidade de mais demissões poderia agravar ainda mais o clima dentro da instituição, que já está fragilizado.
Contexto da Crise no IBGE
A crise no IBGE também se relaciona à criação da Fundação de Apoio à Inovação Científica e Tecnológica do IBGE (IBGE+), que gerou receios sobre a perda da autonomia do instituto. Essa fundação é vista como uma ameaça à qualidade das pesquisas realizadas. Desde a sua proposta, funcionários têm se manifestado, seja por meio de protestos presenciais na sede do IBGE ou através de cartas públicas, denunciando a gestão considerada autoritária de Pochmann. A administração do IBGE, procurada para comentários, não respondeu aos pedidos de informações.

