Divergências na Direita Brasileira
A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência tem provocado uma série de desavenças entre seus aliados, colocando em evidência as tensões existentes no campo da direita brasileira. Nos últimos dias, sinais contraditórios do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), acirraram o clima com o grupo bolsonarista, gerando descontentamento entre as lideranças do Partido Liberal (PL).
Na tentativa de amenizar a situação, Tarcísio publicou em suas redes sociais que buscará a reeleição para o governo do estado, reafirmando sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, essa declaração não foi suficiente para dissipar a crise em suas relações com o PL.
O governador se tornou o centro de um desentendimento entre o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP). Sóstenes criticou Tarcísio pela sua decisão de não atender a Bolsonaro e mudar para o PL, enquanto Pereira defendeu a postura de seu partido, afirmando que o Republicanos não faz política de forma belicosa e não promove crises desnecessárias.
Outro episódio que gerou alvoroço foi o cancelamento da visita de Tarcísio a Jair Bolsonaro na residência conhecida como “Papudinha”. Embora tenha justificado o adiamento por questões de agenda, fontes revelaram que Tarcísio estava insatisfeito com declarações de Flávio que indicavam que Bolsonaro esperava um apoio mais explícito à candidatura do filho.
Para tentar resolver a situação, uma nova visita a Bolsonaro está agendada para esta semana, e Tarcísio se comprometeu a trabalhar em prol da candidatura de Flávio no estado, buscando apaziguar os ânimos antes das eleições.
Com aproximadamente oito meses até o pleito, Flávio ainda luta por apoio entre os líderes do centrão e da centro-direita. Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem enfatizado a importância da união no campo da direita, dada a urgência da situação.
Apesar das desavenças, diversos aliados se esforçam para consolidar a candidatura de Flávio. Recentemente, o senador Rogério Marinho (PL-RN) anunciou que não concorrerá e que dedicará seus esforços à campanha de Flávio, em uma tentativa de unir forças no bolsonarismo.
Conflitos Internos no PL
Entretanto, os problemas no PL vão além da busca por apoio eleitoral. O partido enfrenta disputas internas significativas, com desentendimentos e divisões que se intensificam à medida que se aproxima o período eleitoral. Um exemplo claro disso é a saída do ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, que decidiu deixar o partido após não receber apoio em sua candidatura ao Senado por Pernambuco.
Em carta pública, Gilson reafirmou seu alinhamento aos valores defendidos por Bolsonaro, mas destacou que não foi escolhido pela direção estadual do PL. “Sigo meu caminho, seguindo os princípios do Presidente Bolsonaro”, declarou.
A dinâmica eleitoral no Ceará também gerou atritos, especialmente em relação a quem seria o representante de Bolsonaro na campanha. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, divergiu dos filhos do ex-presidente em relação a uma potencial aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB). Enquanto os filhos defendiam essa união, Michelle criticou essa estratégia, lembrando da postura negativa de Ciro em relação ao ex-presidente.
“Eu tenho orgulho do trabalho que fizemos em todos os estados, mas fazer aliança com alguém que sempre se posicionou contra o maior líder da direita? Isso é inconcebível!”, enfatizou Michelle.
Ainda enfrentando desafios internos, o PL terá que lidar com a ausência de figuras importantes em São Paulo. A ex-deputada Carla Zambelli permanece fora da disputa devido à prisão e à inelegibilidade, enquanto Eduardo Bolsonaro ainda está nos Estados Unidos, com uma situação política indefinida.
No contexto das disputas ao Senado, a situação em Santa Catarina permanece nebulosa. Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, foi indicado pelo PL como candidato ao Senado por esse estado. Essa escolha reflete uma estratégia do bolsonarismo para ampliar a representação no Senado, visando aumentar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar das duas vagas disponíveis, três nomes de destaque estão na disputa por Santa Catarina: Carlos, a deputada federal Carol de Toni (PL-SC) e o senador Esperidião Amin (PP-SC). Amin, que poderá buscar a reeleição, é um nome forte alinhado ao bolsonarismo, embora não faça parte do PL. Ele foi também o responsável por relatar a proposta de redução da pena para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

