As Narrativas Poderosas das Escolas de Samba
O Carnaval 2026 no Rio de Janeiro já se aproxima, e a expectativa é palpável. As doze escolas do Grupo Especial revelaram seus enredos, prometendo noites emocionantes de disputas acirradas na Sapucaí. Com temas que vão do rock de Rita Lee à ancestralidade amazônica, as narrativas deste ano estão repletas de significados e mensagens poderosas.
Fazendo sua estreia na elite do carnaval, uma das escolas abrirá a noite com o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”. A proposta é utilizar a árvore Mulungu, símbolo de resistência, para contar a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, refletindo a esperança do povo trabalhador. Em um trecho da sinopse, é destacado: “Nada do que Lula fez, ele fez sozinho. Sua liderança nasceu, cresceu e se consolidou como expressão de um andar junto”.
Homenagens e Temáticas Arrojadas
A Rainha de Ramos promete um desfile ousado com o enredo “Camaleônico”, uma homenagem ao icônico Ney Matogrosso. A escola celebrará a versatilidade do artista, destacando sua habilidade em quebrar tabus e reafirmar a liberdade como um estandarte. As performances do cantor, que sempre foram inovadoras, serão a grande atração da noite.
A Majestade do Samba, por sua vez, traz uma proposta inédita com “O Mistério do Príncipe do Bará”, que explora a espiritualidade e a história do Rio Grande do Sul. A agremiação contará a lenda do Príncipe Custódio, uma figura mística que teria influenciado a cultura local ligada ao Batuque, religiosidade afro-gaúcha. Em uma postagem nas redes sociais, a escola afirmou: “O Carnaval 2026 da Portela será afro. O negro gaúcho dará seu recado ao Brasil e ao mundo: eu existo”.
A Amazônia e a Emancipação Feminina em Destaque
Outra escola, a Verde e Rosa, fará uma viagem até o Amapá com o enredo “Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”. Este enredo abordará a medicina da floresta, o ritmo do marabaixo e a preservação ambiental, homenageando a sabedoria ancestral de um curandeiro importante da região. “Sob os pés do amapazeiro, é ele um Xamã Babalaô!”, afirmaram os representantes da escola.
Além disso, a escola da Vila Vintém trará uma explosão de irreverência com “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”. O desfile buscará capturar a essência do espírito rock’n’roll e a luta pela emancipação feminina, características marcantes da vida da ícone do rock brasileiro. Um trecho do samba enredo destaca: “A Tropicalista do verbo sem freio”.
Resgate Cultural e Homenagens Póstumas
A agremiação de Nilópolis revelará “Bembé do Mercado”, um desfile que recria a celebração de Santo Amaro (BA) em homenagem à Abolição da Escravatura, convertendo a pista em um grande xirê de resistência cultural. A escola busca reafirmar sua identidade e resistência ao longo da história.
Por outro lado, a escola de Niterói fará uma homenagem ao icônico Mestre Ciça com o enredo “Pra Cima, Ciça”. O desfile contará a trajetória do mestre, que é um ícone das paradinhas e da bateria, elementos fundamentais do carnaval carioca. “Nosso grande homenageado está em plena atividade no carnaval. Pra cima, Ciça!”, celebraram os integrantes da escola nas redes sociais.
Literatura e Ancestralidade na Avenida
A escola do Borel, por sua vez, dará voz à literatura periférica com o enredo “Carolina Maria de Jesus”, abordando a vida da autora de Quarto de Despejo. O desfile focará em sua poesia e nas lutas enfrentadas, ressaltando a potência de sua escrita. “Afirmaremos a identidade da ‘escritora que foi favelada’ ao invés da ‘favelada que escrevia’”, escreveram os membros da escola.
Além disso, a escola de São Cristóvão apresentará “Lonã Ifá Lukumi”, uma proposta que explora a Santería Cubana e sua conexão com os orixás, celebrando a ancestralidade que une Brasil e Cuba. A Vila Isabel também promete um desfile poético com “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, homenageando Heitor dos Prazeres, um ícone da cultura brasileira.
Conexões com a Natureza e a Tradição
A tricolor de Caxias, em união com suas raízes, destacará o ecossistema do manguezal com “A Nação do Mangue”, abordando a natureza como um berço de vida e cultura. Para encerrar os desfiles de maneira emocionante, a vermelha e branca apresentará “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, homenageando Rosa Magalhães, a carnavalesca com mais títulos da história do sambódromo, que morreu em julho de 2024. “Cada página parece virar sozinha, movida pelo sopro da memória e pelo encantamento de um povo que sabe que sua maior riqueza é o samba”, diz um trecho da descrição do enredo.

