Palestinos Aplaudem Possível Participação do Brasil no Conselho da Paz de Trump
A inclusão do Brasil no Conselho da Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é vista com otimismo pelos palestinos, de acordo com Marwan Jebril, embaixador da Autoridade Nacional Palestina em Brasília. Segundo ele, a participação brasileira no comitê que visa tratar questões relacionadas à Faixa de Gaza seria uma boa notícia.
No entanto, até o momento, o governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre a aceitação do convite feito na quinta-feira (22). Marwan Jebril declarou à GloboNews: “A decisão cabe ao Brasil. Contudo, acreditamos que é positivo contar com países amigos entre os membros. Não podemos esquecer que Israel também faz parte deste conselho.”
O embaixador ressaltou a importância de ter aliados que defendam os direitos dos palestinos, como o direito à autodeterminação e à formação de um Estado palestino. Ele considera a iniciativa um passo importante para a pacificação da região, evidenciando que, embora os palestinos não estejam diretamente representados, a presença de nações como Egito, Arábia Saudita, Catar, Turquia e Indonésia é encorajadora.
“Estamos coordenando para que este comitê tenha uma duração transitória, sugerindo um período máximo de dois anos, após o qual as responsabilidades na Faixa de Gaza retornariam ao governo palestino”, afirmou Jebril.
Nesta mesma quinta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve uma conversa telefônica com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina. Em comunicado do Ministério das Relações Exteriores, foi destacado que os dois líderes discutiram sobre o avanço do plano de paz e concordaram em manter diálogo contínuo sobre o assunto.
Embora não tenha participado da ligação, Jebril ofereceu insights sobre as expectativas dos palestinos em relação à possível adesão ao conselho. Ele destacou: “O que pedimos ao nosso amigo Lula é que não haja anexação de território palestino por parte de Israel e que não haja divisão política entre Gaza e a Cisjordânia. É essencial que a solução política seja encontrada, já que abordagens militares ou que imponham decisões externas não são viáveis.”
Ele enfatizou ainda que a participação do governo palestino no processo de solução é crucial. “Essa é a mensagem que transmitimos a todos os nossos aliados, e eles têm nos apoiado”, acrescentou.
Preocupações com o Papel da ONU
Embora Jebril reconheça a importância dos aliados no novo comitê, ele expressou preocupação com possíveis tentativas de substituir a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU). “Trump sugere a substituição das Nações Unidas, uma entidade com mais de 80 anos de história. Isso é alarmante”, alertou o diplomata.
“Esperamos que essa tentativa não prospere. É vital respeitar e aplicar as normas da ONU e do direito internacional”, completou o embaixador.
A possível substituição da ONU levanta questões delicadas para o Brasil em relação ao “Conselho da Paz”. Assessores do presidente já manifestaram que o grupo não pode se tornar uma entidade permanente que substitua a ONU, uma preocupação que, segundo especialistas, não deve ser descartada.
Marwan Jebril, embaixador da Autoridade Palestina no Brasil – Foto: Reprodução/Instagram

