Fenasamba Expressa Preocupação com a Centralização de Recursos para o Carnaval
No último dia 19, a Embratur e o Ministério da Cultura anunciaram a destinação de R$ 12 milhões para as escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. O valor será distribuído de forma igualitária entre as 12 agremiações que formam essa divisão, conforme estabelecido em um termo de cooperação assinado pelo presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e representantes do Ministério da Cultura. A cerimônia contou também com a presença do presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), Gabriel David.
Nesse cenário, a Fenasamba, entidade criada em 2018 que reúne várias agremiações carnavalescas de todo o Brasil, se manifestou por meio de uma nota em que expressa sua preocupação. Segundo a Fenasamba, a centralização de recursos apenas para um único grupo e território ignora a dimensão nacional do Carnaval das escolas de samba. A entidade afirma ter a missão de desenvolver e representar o Carnaval brasileiro tanto dentro quanto fora do país, reivindicando, portanto, políticas públicas que reconheçam a cadeia produtiva do Carnaval como ampla e descentralizada.
Ao se referir ao repasse de recursos, a Fenasamba destacou que esta situação contraria o princípio de reconhecimento e fortalecimento da diversidade cultural do Brasil. O investimento, segundo Freixo, é justificado pela grande audiência e relevância do Carnaval do Rio de Janeiro. Em 2024, mais de 78 milhões de pessoas foram impactadas pelos conteúdos relacionados ao Carnaval veiculados pela Globo no Brasil, enquanto a TV Brasil Internacional e parcerias globais levaram as imagens da icônica Sapucaí para mais de 170 países, consolidando o evento como um dos mais desejados do mundo.
Marcelo Freixo enfatizou que o uso de recursos para o Carnaval também representa uma forma de geração de emprego e renda, abrangendo todas as classes sociais durante todo o ano, além de ser uma questão de lazer, que é um direito fundamental.
Por sua vez, a Fenasamba não deixa de reconhecer a importância histórica e cultural do Carnaval do Rio de Janeiro para a imagem do Brasil, mas reitera seu alerta sobre a necessidade de uma abordagem mais inclusiva. A nota da entidade ressalta que as escolas de samba estão presentes em todas as regiões do país, movimentando economias locais e promovendo inclusão social.
Segundo a Fenasamba, ao direcionar recursos apenas ao Grupo Especial do Rio, o Governo Federal ignora um ecossistema cultural riquíssimo e plural, que abrange diversas realidades e contextos regionais. A entidade reivindica que os recursos do Ministério da Cultura e da Embratur sejam estruturados com base em políticas públicas que contemplem as ligas e federações de todo o Brasil de forma equitativa e transparente.
A Fenasamba conclui sua nota afirmando que continuará em diálogo com o Ministério da Cultura, a Embratur e demais órgãos do Governo Federal para construir soluções que reconheçam o Carnaval como uma manifestação cultural nacional que transcende os limites de um único desfile ou cidade.

