Comentários de Moraes em evento geram repercussão
Em um evento realizado em uma casa de eventos na zona sul de São Paulo, o ministro Alexandre de Moraes fez declarações que foram interpretadas como uma alusão à sua recente decisão sobre a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a unidade conhecida como Papudinha. Embora não tenha mencionado diretamente o caso, suas palavras foram claramente ligadas ao despacho assinado horas antes. O discurso foi gravado e já circula nas redes sociais.
Moraes, ao comentar a quantidade de discursos na cerimônia, fez uma brincadeira sobre o tempo que os oradores levaram. “A maioria não é do Direito, então oito discursos para vocês é um absurdo do absurdo. E vocês percebem que ninguém cumpriu os três minutos. Quase eu tive que tomar algumas medidas”, disse, arrancando risos da plateia. Ao final, ele afirmou: “Acho que hoje eu já fiz o que tinha que fazer.”
Repercussão entre bolsonaristas
A fala do ministro gerou reações entre os apoiadores de Bolsonaro. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se manifestou em sua conta no X, citando o livro de Provérbios: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.” Outro parlamentar, Bibo Nunes (PL-RS), também comentou o evento, acusando Moraes de manifestar ódio e vingança ao fazer piadas durante o discurso na Universidade de São Paulo.
Transferência de Bolsonaro e as condições de detenção
Em sua decisão, Moraes determinou que o ex-presidente, que estava preso desde novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, fosse transferido para o 19º Batalhão da PM do DF. O local, conhecido como Papudinha, abriga também outros detentos, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Moraes também autorizou que Bolsonaro receba assistência religiosa e participe de um programa de redução de pena através da leitura. Contudo, negou o pedido do ex-presidente para ter acesso a uma televisão com internet.
Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo STF em razão de uma tentativa de golpe de Estado, estava enfrentando reclamações sobre as condições na Superintendência da PF, especialmente em relação ao barulho do ar-condicionado.
Avaliação médica e possíveis próximas etapas
Além da transferência, Moraes determinou que o ex-presidente passasse por uma avaliação médica realizada por peritos da PF, que irão analisar seu estado de saúde e a eventual necessidade de transferência para um hospital penitenciário. A decisão sobre a concessão de prisão domiciliar humanitária, com base em questões de saúde, será tomada após essa avaliação.
O ministro reafirmou que o cumprimento da pena de Bolsonaro na PF foi realizado com respeito à dignidade da pessoa humana, destacando que as condições eram favoráveis em comparação ao restante do sistema penitenciário. Entretanto, Moraes concordou que a transferência para o batalhão da PM-DF poderia oferecer ainda mais vantagens, incluindo aumento do tempo de visitas e liberdade para atividades físicas.
Privilégios e críticas ao sistema penitenciário
Na decisão, Moraes ainda trouxe à tona a atual situação do sistema penitenciário brasileiro, que enfrenta problemas de superlotação e péssimas condições estruturais. Ele enfatizou que a condição de ex-presidente proporciona a Bolsonaro uma prisão especial, diferindo-o dos demais condenados, que somam mais de 384 mil no regime fechado. Entre os privilégios concedidos a Bolsonaro, estavam uma sala de Estado-Maior individual, ar-condicionado, frigobar e acesso a médicos particulares.
O ministro também se deparou com críticas de familiares de Bolsonaro, incluindo os filhos Flávio e Carlos, que questionaram as condições de cumprimento da pena. Moraes respondeu a essas críticas, afirmando que há uma tentativa sistemática de deslegitimar as condições às quais o ex-presidente está submetido.

