Atrasos e Críticas na Operação Compliance Zero
O ministro Dias Toffoli manifestou descontentamento com a Polícia Federal (PF) devido à lentidão na execução da segunda fase da operação Compliance Zero. Apesar das críticas, a PF havia solicitado autorização para as buscas em outubro do ano anterior, enquanto o caso estava sob a alçada da primeira instância. O trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF) acabou atrasando a liberação das investigações, que exigiram um planejamento logístico para a execução de mandados em cinco diferentes estados.
A investigação da PF começou em São Paulo e, conforme informações reveladas pelo colunista Fabio Serapião, a operação realizada na manhã de hoje é uma continuidade das apurações iniciadas naquele outubro. Esta fase se revela mais abrangente do que a primeira, que tinha como alvo os negócios entre o Master e o Banco de Brasília (BRB), focando especialmente no banqueiro Daniel Vorcaro.
Suspeitas de Fraudes e Desvios
A Polícia Federal investiga possíveis fraudes em transações realizadas pelo Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro. De acordo com os investigadores, Vorcaro teria orquestrado operações financeiras com gestoras situadas na Faria Lima, em São Paulo, para desviar recursos e ocultar patrimônio. A solicitação de buscas foi feita em outubro, mas o processo se estendeu devido à elevação do caso para o STF, o que complicou ainda mais o andamento das investigações.
Toffoli não poupou críticas à PF em sua decisão de hoje. O ministro destacou que a corporação não respeitou o prazo que ele estabeleceu para o início das investigações, o qual expirou ontem. Em sua determinação anterior, Toffoli havia dado um ultimato de 24 horas, a contar do dia 12 de janeiro, para que a operação fosse deflagrada.
Logística Complexa e Novas Informações
O atraso na execução da operação foi justificado pela complexidade logística envolvida. A PF teve que validar diversos endereços e reavaliar se ainda havia interesse em realizar as ações contra todos os alvos que haviam sido identificados em outubro. Além disso, a logística envolveu a mobilização de equipes em cinco estados: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Na última terça-feira, a PF também acrescentou novos endereços à lista de locais a serem cumpridos com os mandados. O ministro Toffoli exigiu que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresentasse explicações sobre a morosidade nas investigações. Até o momento, foi apurado que Rodrigues já teria enviado ao STF um relatório detalhado sobre o contexto da operação, que tramita sob sigilo.
Decisão sobre Novas Buscas
Embora Toffoli tenha inicialmente rejeitado o pedido da PF para realizar novas buscas, sua postura mudou após a corporação apresentar novos indícios que sustentavam a necessidade de aprofundar as investigações. O ministro reconsiderou sua posição, especialmente após a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a PF enfatizarem que a investigação se estendia além do escopo inicial envolvendo o BRB e o Master.
Esse episódio ressalta não apenas as dificuldades enfrentadas por órgãos de fiscalização, mas também a tensão que pode surgir entre diferentes esferas do Judiciário e da Polícia Federal durante investigações de grande complexidade. A operação Compliance Zero continua a ser monitorada atentamente, à medida que novas informações surgem e a busca pela verdade avança sob os olhos do Supremo.

