Reconexão com a Língua Brasileira
O cantor e compositor Lucas Santtana, conhecido por sua trajetória na música brasileira, está prestes a lançar seu novo álbum, intitulado ‘Brasiliano’, que promete trazer uma reflexão profunda sobre a língua portuguesa. Com lançamento marcado para 6 de março, Santtana já apresentou ao público o single ‘Que seja um reggae’, que conta com a participação emblemática d’Os Paralamas do Sucesso. Esta colaboração, que remete a sua releitura da famosa ‘Mensagem de amor’ em 2000, reflete a rica história do artista com a banda que o influenciou desde os anos 1980.
A lembrança é vívida para Lucas: ‘Uma das minhas primeiras experiências musicais solo foi em 1998, quando tive a oportunidade de tocar ao lado d’Os Paralamas’, relembra o músico. Ele destaca que, embora seu primeiro grande sucesso tenha sido ‘Mensagem’, sua ligação com os Paralamas é antiga e muito significativa. ‘Nos anos 80, eles foram minha referência musical. Para mim, eles deram uma nova cara ao rock no Brasil’, complementa.
Uma Jornada pela Língua
Lucas Santtana começou sua carreira ao lado de Gilberto Gil, tocando flauta em álbuns icônicos como ‘Tropicália 2’ e ‘Unplugged MTV’. Após três décadas, ele reencontrou Gil para a criação da música ‘História da nossa língua’, um trabalho que se conecta com a essência do novo álbum. ‘É um fechamento de ciclo’, afirma, refletindo sobre a importância da participação de seu ídolo na faixa. ‘Quando Gil aceitou participar, foi como se o tempo tivesse parado e me senti em meio a fogos de artifício’, revela.
O álbum ‘Brasiliano’ também celebra os 25 anos do seu primeiro disco, ‘Eletro Ben Dodô’, que foi remasterizado recentemente. Lucas reavivou esse projeto com o produtor Chico Neves, alterando algumas faixas consideradas datadas, mas mantendo sua sonoridade original intacta. ‘A sonoridade é uma assinatura, uma maneira de combinar sons que encontrei logo no começo da carreira’, analisa.
Desafios da Produção Musical
Planejado como um disco com várias colaborações, ‘Brasiliano’ contou com a participação de artistas diversos, incluindo Gil, Paralamas, Chico César e outros músicos internacionais. ‘O trabalho foi árduo, levando cerca de seis meses para reunir todos os envolvidos e finalizar as gravações’, conta Lucas, refletindo sobre o desafio que foi trazer a ideia de discutir as línguas românicas que descendem do latim, num total de 11 faixas e 12 participações.
Após se mudar para Montpellier, na França, Lucas tem lançado seus trabalhos sob uma gravadora francesa desde 2014. Ele revela que a mudança para a Europa não estava nos seus planos iniciais, mas a pandemia e a situação política no Brasil o levaram a reconsiderar sua carreira. ‘A pandemia abriu novas portas para mim’, diz. ‘Fiz cerca de 40 shows na França e percebi que essa era uma oportunidade de meus filhos crescerem em outro ambiente cultural’.
Um Amor Renovado pela Língua
Certa vez, passeando no parque com seu filho, Dom, Lucas teve uma epifania sobre a língua. ‘Comecei a perceber o quanto a língua é política’, reflete ele. ‘Os franceses têm uma grande admiração pelo Brasil e pela nossa língua, especialmente graças à música popular. Durante uma simples caminhada, percebi que muitos perguntavam: ‘Vocês falam brasileiro?’. Isso me levou a questionar minha própria relação com o português’.
Ele começou a se aprofundar em livros de linguística e, nesse processo, redescobriu um amor pela língua que antes não sentia. ‘A música é brasileira, o cinema é brasileiro, a arquitetura é brasileira, mas a língua é portuguesa. Existe uma dissonância nisso’, comenta. Para ele, ser brasileiro nunca foi tão positivo, e essa nova percepção sobre a língua reflete um momento de transformação cultural.

