Urgente necessidade de infraestrutura e hidratação para enfrentar o calor extremo
O Brasil está enfrentando uma emergência climática que se intensifica a cada verão. As ondas de calor extremo, que antes eram raras, tornaram-se uma constante, evidenciando as fragilidades estruturais de nossas cidades e colocando milhões de vidas em risco. Enquanto discutimos propostas para o futuro, a realidade já cobra um alto preço, impactando a saúde pública e pressionando o sistema de saúde.
A situação na Europa serve como um alerta que não podemos ignorar. Nos primeiros dez dias de junho de 2025, o calor extremo resultou em 2.300 mortes no continente. Esse dado não é apenas uma estatística distante; é um aviso claro do que pode ocorrer no Brasil se não agirmos rapidamente. Não podemos nos dar ao luxo de esperar por soluções ideais enquanto vidas estão em jogo.
A configuração urbana de nossas metrópoles, como Rio de Janeiro e São Paulo, é um retrato de um planejamento falido. Locais icônicos, como o Largo da Carioca e o Vale do Anhangabaú, tornaram-se verdadeiras armadilhas térmicas. A combinação de asfalto e concreto, que absorvem e retêm calor, resulta em temperaturas muito mais elevadas do que nas áreas arborizadas ao redor, criando microclimas perigosos.
Infelizmente, essa configuração atual não leva em consideração as exigências climáticas do século XXI. O resultado disso é um ambiente hostil para os mais vulneráveis, incluindo idosos, crianças e pessoas em situação de rua, além dos trabalhadores que precisam se expor ao calor.
Impactos diretos das ondas de calor na saúde pública
As consequências das ondas de calor são devastadoras e imediatas para a saúde pública. A exposição prolongada a temperaturas elevadas pode acarretar desde desidratação e exaustão térmica até o agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Durante períodos de calor intenso, as internações hospitalares aumentam significativamente, sobrecarregando um sistema de saúde que já lidava com múltiplas demandas.
As comunidades de baixa renda são as mais afetadas, vivendo em áreas com menor cobertura vegetal e infraestrutura inadequada para lidar com o calor extremo. Essa realidade evidencia como as mudanças climáticas agravam desigualdades sociais, transformando o acesso a ambientes frescos em um privilégio para poucos.
Soluções imediatas e necessárias
Para que as cidades se adaptem às ondas de calor, é fundamental implementar ações urgentes que transcendam a simples criação de áreas verdes. Embora a arborização urbana seja importante, é necessário adotar uma abordagem mais abrangente que inclua:
- Infraestrutura de refrigeração passiva: A adoção de telhados frios, pavimentos permeáveis e outras tecnologias que minimizam a absorção de calor deve ser uma prioridade em projetos urbanos e na reformulação de estruturas existentes.
- Rede de hidratação pública: É inadmissível que, no século XXI, nossas cidades não disponham de uma rede acessível de bebedouros públicos. Esses dispositivos, integrados ao sistema de saúde, podem salvar vidas durante ondas de calor.
- Políticas inclusivas de proteção: É imprescindível implementar programas que garantam acesso a abrigos climatizados, campanhas educativas sobre prevenção e protocolos de emergência voltados para populações vulneráveis.
A urgência da transformação
É hora de agir. Cada verão que passa sem medidas concretas representa mais vidas perdidas, sistemas de saúde colapsados e desigualdades ampliadas. As ondas de calor já são uma realidade no Brasil, e sua intensidade tende a aumentar nos próximos anos.
A transformação de nossas cidades em ambientes mais resilientes ao calor extremo não se resume a uma questão de infraestrutura, mas também de justiça social e saúde pública. Investir em soluções sustentáveis e inclusivas é uma obrigação moral e legal dos governantes.
O exemplo europeu nos mostra que não temos tempo a perder. A escolha é clara: agir com a urgência necessária ou enfrentar as consequências trágicas da inação. A vida de milhões de brasileiros depende da nossa capacidade de converter alertas em ações efetivas. O momento de agir é agora.

