Eduardo Paes e suas Estratégias para 2028
RIO DE JANEIRO, RJ – O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), reafirma seu compromisso de concluir seu quarto mandato até 2028, porém, nos bastidores, já se prepara para uma nova disputa política. Recentemente, um de seus aliados, em tom de brincadeira, o chamou de “mentiroso”, refletindo as especulações em torno de sua real intenção de deixar o cargo antes do prazo. O que se observa é que Paes tem planos concretos de se candidatar ao governo do estado em março de 2025, em um cenário político repleto de incertezas.
As articulações de Paes estão diretamente ligadas ao clima político conturbado no estado, especialmente com as investigações da Polícia Federal e as possíveis mudanças que deverão ocorrer na governança após a renúncia do governador Cláudio Castro (PL), que pretende se candidatar ao Senado. Neste contexto, o prefeito tem se dedicado a garantir uma transição tranquila para o vice-prefeito, Eduardo Cavaliere (PSD), minimizando os impactos de sua eventual saída.
Preparações para a Transição de Poder
A transição do poder é um tema recorrente nas conversas de Paes, que busca assegurar a seus aliados que não haverá rupturas significativas com a mudança na liderança da prefeitura. Para isso, tem estado presente em diversas discussões sobre as eleições deste ano, que prometem impactar a nova composição da administração municipal.
A candidatura de Paes para o governo do Rio não é um mistério. Ele tem enfatizado a atuação do município em temas como segurança pública, que, segundo especialistas, será um dos pilares de sua campanha. Recentemente, anunciou a construção de terminais de ônibus para atender à Baixada Fluminense, estratégia que visa conquistar o eleitorado da região metropolitana, crucial para seus planos.
Outro ponto que chama a atenção é a mudança de imagem do prefeito. Durante suas visitas ao interior do estado, ele tem sido visto com um chapéu de vaqueiro, substituindo seu tradicional chapéu panamá, que ainda usa no Rio. Além disso, na virada do ano, Paes optou por postar vídeos não só das praias cariocas, como também do litoral de cidades da Região dos Lagos, sinalizando uma aproximação com o interior.
Alianças e Conflitos no Horizonte
No que diz respeito às alianças políticas, Paes tem mantido diálogos com partidos como MDB e PP, que atualmente fazem parte da base de apoio a Castro. O intuito é ampliar sua influência no interior do estado e, ao mesmo tempo, distanciar sua candidatura da imagem de Lula e do PT, em um estado que tende a apoiar Bolsonaro. Um possível nome para vice na chapa é Rogério Lisoa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu, embora a definição sobre a candidatura a vice deva ser adiada até meados do ano.
As investigações que envolvem o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil) e sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro também adicionam uma camada de complexidade ao cenário. Bacellar, um dos principais candidatos a suceder Castro, teve seu nome enfraquecido após ser afastado por suspeitas de vazamento de informações, o que reabriu discussões sobre quem poderia assumir temporariamente o governo em caso de renúncia.
O Dia a Dia da Gestão e sua Repercussão
No que diz respeito à gestão municipal, Paes tem delegado cada vez mais responsabilidades ao vice-prefeito Cavaliere, que vem participando ativamente dos anúncios da prefeitura, em uma clara preparação para a transição. Um episódio marcante dessa dinâmica ocorreu durante a divulgação do Plano Estratégico 2025-2028, coordenado por Cavaliere, onde Paes acidentalmente mencionou que o vice-prefeito “tiraria dele uma marca histórica”, revelando um possível plano de saída.
Após essa declaração, Paes buscou minimizar sua fala, afirmando que se referia apenas a uma viagem que faria, mas a situação gerou discussões sobre a aceitação de sua saída. Aliados próximos a Paes acreditam que, apesar das provocações e das especulações, ele não sofrerá desgaste político, pois muitos cidadãos desejam vê-lo concorrendo ao governo, especialmente em um período de crise financeira e segurança.

