As Consequências da Permanência nos EUA
Recentemente, aliados do presidente Lula ironizaram Eduardo Bolsonaro após a Polícia Federal (PF) determinar o retorno do ex-deputado ao cargo de escrivão. Essa determinação surge em um contexto onde Eduardo tem se mostrado relutante em retornar ao Brasil, onde se encontra desde fevereiro. Segundo informações disponíveis na Tabela de Remuneração dos servidores federais de 2025, o salário de um escrivão da PF é um tema que ganha destaque nas discussões sobre sua situação funcional.
Conforme explicado por Felipe Fonte, professor da FGV Direito Rio, a legislação brasileira estipula que todo servidor público deve reassumir suas funções em até 30 dias após o término de um impedimento. No caso de Eduardo, a falta de retorno pode resultar em demissão por abandono de cargo, uma situação que preocupa não apenas o ex-parlamentar, mas também seus apoiadores.
Eduardo afirmou em uma entrevista recente que não vê condições para voltar ao Brasil neste momento e que não entregará seu cargo “de mãos beijadas”. “Vou lutar por ele (pelo cargo na PF). Fui uma pessoa que batalhou para ser aprovada nesse concurso”, declarou. Essa declaração reflete a determinação de Eduardo em manter sua posição, mesmo frente às ameaças de demissão e processos administrativos.
Retorno e Regularização na PF
Uma convocação oficial foi assinada pelo diretor de gestão de pessoas substituto, Licinio Nunes de Moraes Netto, e publicada no Diário Oficial da União (DOU). O documento menciona a necessidade de Eduardo retornar “para fins exclusivamente declaratórios e de regularização da situação funcional” no cargo da Delegacia da PF em Angra dos Reis (DPF/ARS/RJ), que é chefiada pelo delegado Clayton Lúcio Santos de Souza. A ausência não justificada pode desencadear providências administrativas e disciplinares, aumentando a pressão sobre Eduardo para a regularização de sua situação.
Conflitos Legais e Consequências Políticas
Recentemente, Eduardo teve seu mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara, uma decisão que veio acompanhada de uma série de desdobramentos jurídicos. Ele é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo, com acusações ligadas a tentativas de articular sanções contra autoridades brasileiras durante sua permanência nos Estados Unidos. Essas alegações foram reforçadas por afirmações do ministro Alexandre de Moraes, que advertiu sobre a gravidade das ações de Eduardo, que incluíam tentativas de intimidar ministros do STF.
A Defensoria Pública da União (DPU) assumiu a defesa de Eduardo, argumentando que suas declarações sobre sanções americanas devem ser protegidas pela imunidade parlamentar. Esse ponto se torna crucial em um contexto onde a linha entre a atuação política e as responsabilidades legais se torna difusa.
Processos Administrativos e Polêmicas na PF
Adicionalmente, a PF abriu um processo administrativo disciplinar em setembro de 2025 para investigar Eduardo por suas ações nos Estados Unidos. A representação foi apresentada por Guilherme Boulos, que na época ainda exercia a função de deputado federal. Em meio a essa turbulência, Eduardo foi alvo de críticas por suas posturas públicas, incluindo ameaças a delegados federais, o que levou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a classificar como uma “covarde tentativa de intimidação”.
Esse histórico de ações e declarações gerou um clima tenso entre Eduardo e a PF, culminando em novos procedimentos administrativos contra ele. Durante uma live, o ex-parlamentar fez referências diretas a investigações em andamento e atacou diretamente o delegado Fábio Shor, que lidera investigações significativas envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Vai lá, cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não. Se eu ficar sabendo quem é você, eu vou me mexer aqui”, disparou Eduardo, em uma provocação que não caiu bem dentro da corporação. As ações de Eduardo não só reforçam sua postura desafiadora, mas também trazem à tona a complexidade da relação entre a política e a segurança pública no Brasil.

