Um Cenário Desafiador para a Economia Brasileira
Os próximos anos prometem ser desafiadores para a economia do Brasil, especialmente com a proximidade de um novo ano eleitoral, que frequentemente bagunça as previsões e indicadores econômicos. Além disso, as taxas de juros continuam elevadas, sinalizando dificuldades para 2026.
De acordo com análise de economistas consultados pela reportagem de Zero Hora, o ambiente econômico se mostra delicado. O Banco Central (BC), que se mantém cauteloso em relação ao controle da inflação, enquanto o governo federal busca estimular o consumo, cria uma dicotomia que pode impactar o crescimento econômico.
“O Banco Central tende a continuar restritivo, mas o governo, por outro lado, pode aumentar os gastos para conquistar popularidade. Isso gera um ambiente em que, apesar da economia desacelerar, ela pode não fazer isso no ritmo necessário para controlar a inflação”, avalia Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria.
Por sua vez, o professor Maurício Weiss, do Programa de Mestrado Profissional em Economia da UFRGS, argumenta que, embora a questão fiscal gere preocupações, a taxa de juros representa o maior obstáculo para a economia em 2026. “Já observamos sinalizações de desaceleração econômica, e mesmo com o mercado de trabalho aquecido, a taxa de contratação está diminuindo. O juro elevado reflete a meta de inflação que é, em muitos aspectos, incompatível com o estágio de desenvolvimento do país”, explica.
O Impacto da Inflação
A demanda por bens e serviços continua a permanecer aquecida, impulsionada por incentivos fiscais já implementados, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Contudo, as expectativas de inflação permanecem elevadas, especialmente no setor alimentício, onde fatores climáticos e a produtividade da safra podem resultar em aumentos significativos de preços.
A expectativa é que a inflação se mantenha próxima ao teto da meta estipulada, que é de 4,5%. Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence, destaca essa preocupação: “Estamos prevendo um aumento considerável nos preços dos alimentos, especialmente devido ao fenômeno de El Niño, que pode impactar tanto a produção quanto a distribuição”.
Taxas de Juros e Projeções
As taxas de juros, que atualmente se encontram em níveis altos, devem permanecer assim por mais tempo. Embora houvesse expectativas de cortes da Selic, com a inflação se aproximando do teto, as previsões foram revistas. Atualmente, especialistas esperam uma Selic em torno de 12,5% até o final do ano, o que representa uma diminuição de dois pontos percentuais em relação aos níveis atuais.
Silvia Matos, pesquisadora da FGV Ibre, ilustra a complexidade da situação: “É como um paciente em recuperação. Será que conseguiremos estabilizar a economia ou teremos que prolongar o tratamento?”, questiona.
Desafios do Câmbio e Cenário Internacional
Um dos aspectos mais complicados nas previsões econômicas é o câmbio. Com o dólar respondendo rapidamente a pressões internas e externas, as expectativas podem se mostrar voláteis. A previsão é que o dólar se mantenha em torno de R$ 5,50 em 2026, embora incertezas relacionadas ao processo eleitoral e ao cenário internacional possam provocar flutuações.
O cenário global também permanece instável, com incertezas geradas pelas políticas tarifárias do governo dos EUA, que podem afetar diretamente o Brasil. Em particular, o Rio Grande do Sul pode sentir os efeitos das sanções, especialmente em setores como madeira, móveis e calçados.
Projeções para o PIB
Com a combinação de incertezas fiscais, uma nova onda de inflação e juros elevados, espera-se que a economia brasileira desacelere em 2026. As projeções atuais indicam um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1,6% e 2%. “É um cenário que, apesar de apresentar desafios, não indica uma quebra abrupta na economia”, conclui Silvio Campos Neto.
Em suma, as perspectivas para a economia brasileira em 2026 revelam um cenário repleto de desafios, mas também de oportunidades de recuperação gradual. A continuidade de impulsos fiscais, juntamente com um mercado de trabalho ainda resiliente, poderá sustentar a demanda em meio a essa complexidade econômica.

