Divisão e Conflitos na Direita Fluminense
As disputas internas entre os grupos do PL, representados pelo governador Cláudio Castro e pelo deputado federal Altineu Côrtes, evidenciam um cenário polarizado na política do Rio de Janeiro. A discussão gira em torno de um contrato bilionário para o fornecimento de gás, cujas implicações vão muito além do que se pode imaginar. Com o atual acordo prestes a vencer em 2027, duas opções são analisadas: a possibilidade de renovação por mais 20 anos com a Naturgy, responsável pelos serviços desde a privatização em 1997, ou a realização de um novo processo de concessão.
Castro busca convencer o senador Flávio Bolsonaro de que a melhor estratégia para sua candidatura à presidência seria apoiar o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, na administração interina do estado, a partir de abril. Para isso, Castro precisa renunciar, e a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) deverá escolher um novo governador até o final do ano. O governador vê o renovado contrato com a Naturgy como uma solução essencial para enfrentar um deficit colossal estimado em R$ 19 bilhões, uma vez que a outorga bilionária poderia ajudar a estabilizar as contas do estado.
Propostas Divergentes para o Futuro do Gás
No entanto, a ala de Altineu Côrtes não vê a situação da mesma maneira. O grupo propõe a nomeação do secretário das Cidades, Douglas Ruas, para a governança interina, buscando enfrentar o prefeito do Rio, Eduardo Paes, com um novo posicionamento no Palácio Guanabara. A proposta inclui a realização de uma nova licitação para o fornecimento de gás ainda neste ano, caso Ruas assuma o cargo, o que, segundo eles, traria mais recursos para os cofres públicos e melhoraria a qualidade do serviço prestado aos cidadãos fluminenses.
A Naturgy, envolta em polêmicas desde o ano passado, enfrenta questionamentos na Alerj. Sob controle de aliados do ex-presidente Rodrigo Bacellar, uma CPI dos Serviços Delegados solicitou a quebra de sigilos bancários e fiscais da empresa, acusando-a de ser uma prestadora de serviços insatisfatória, principalmente em áreas do interior do estado.
Cenário Atual e Desdobramentos
A discussão sobre a concessão do gás não se limita apenas a aspectos financeiros; ela é vital para muitos eleitores e gera interesse entre os políticos, especialmente devido às conexões com o setor de postos de combustíveis. O deputado federal Pedro Paulo Carvalho (PSD), aliado de Paes, expressou preocupações sobre a transparência na renovação, afirmando que o PSD irá monitorar de perto qualquer negociação, exigindo total clareza nos acordos.
Expectativas para o Julgamento do TSE
A pressão em torno da concessão aumentou no início deste ano, quando o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) emitiu um documento recomendando a rejeição da prorrogação da concessão, argumentando que não está respaldada por lei. Enquanto isso, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP) pediu mais transparência nos processos de concessão.
Além disso, Castro enfrenta um novo desafio: o julgamento do caso Ceperj no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que investiga o uso da fundação estadual para contratações temporárias com fins eleitorais na campanha de 2022. A ministra relatora, Isabel Gallotti, havia indicado a possibilidade de cassação e inelegibilidade, mas o ministro Antônio Carlos Ferreira pediu vistas, gerando incertezas entre os aliados de Castro sobre o desfecho do caso.
Os próximos julgamentos no TSE também levantam questionamentos sobre a posição de outros ministros, como Floriano Peixoto, considerado favorável a uma postura mais crítica, e Estela Aranha, que pode oferecer esperanças no interior do Palácio Guanabara.

