Decisão do Ministério da Saúde e Conitec
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analisou recentemente a solicitação do Ministério da Saúde para a inclusão da vacina contra herpes-zóster no SUS. Apesar de reconhecer a eficácia do imunizante, a Conitec considerou que o alto custo da vacina, que pode chegar a até R$ 2 mil pelo esquema completo na rede privada, torna sua incorporação insustentável para uma política de saúde pública abrangente.
A proposta do governo previa a oferta da vacina para idosos a partir dos 80 anos e para imunossuprimidos com mais de 18 anos. Contudo, o impacto orçamentário estimado para vacinar 1,5 milhão de pessoas anualmente, totalizando 6,5 milhões em cinco anos, atingiria a cifra de R$ 5,2 bilhões, levando a Comissão a uma análise cautelosa.
O desafio do custo-benefício
Embora o laboratório GSK tenha oferecido um preço reduzido de R$ 403,30 por dose, a Conitec determinou que o valor necessário para tornar a incorporação viável para o SUS seria de apenas R$ 75,75 por dose. No entanto, a discrepância entre os preços inviabilizou a proposta atual, levando à decisão final, anunciada em uma reunião em 10 de dezembro.
Na deliberação, foi destacado que a decisão desfavorável não significa um fechamento definitivo para futuras negociações. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) expressou interesse em incorporar a vacina e continuará buscando um preço que seja mais adequado ao sistema de saúde pública.
Possibilidades futuras e avaliação contínua
Atualmente, o Ministério da Saúde optou por acatar a recomendação da Conitec e não incorporar a vacina Shingrix ao SUS. Contudo, a publicação no Diário Oficial da União (DOU) ressalta que novas avaliações poderão ser feitas caso surjam informações que modifiquem a análise anterior.
A Shingrix foi aprovada no Brasil em 2021 para maiores de 50 anos e imunossuprimidos a partir de 18 anos, sendo administrada em duas doses com intervalo de dois meses. No mercado privado, o custo gira em torno de R$ 850 por dose, totalizando cerca de R$ 1,7 mil para o esquema completo.
O que é herpes-zóster?
Apesar do nome, o herpes-zóster, popularmente conhecido como cobreiro, é uma doença distinta das herpes labial e genital. O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, que também é responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece dormente no corpo, alojado em nervos. Fatores que comprometem o sistema imunológico podem levar à reativação do vírus na fase adulta, resultando no herpes-zóster.
Os dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que cerca de uma em cada três pessoas desenvolverá herpes-zóster em algum momento da vida. Os sintomas podem incluir erupções cutâneas e dores intensas, comumente afetando apenas um lado do corpo. Considerando que o grupo de maior risco são os indivíduos com mais de 50 anos ou aqueles imunossuprimidos, a vacinação se torna um aspecto essencial na prevenção da doença.

