Avanços significativos na saúde indígena
O Ministério da Saúde alcançou um marco importante ao registrar mil atendimentos de Cuidado Especializado Digital (CED) em cinco Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) entre setembro de 2024 e outubro de 2025. Este projeto, intitulado Tecnologias e Estratégias Remotas para o Avanço da Saúde Especializada em Territórios Indígenas, demonstrou um impacto significativo ao reduzir em 85% o número de remoções de pacientes e garantir uma taxa de resolutividade de 93,85% nos agravos de saúde.
A iniciativa faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) e conta com a colaboração do hospital Sírio-Libanês. O objetivo é resolver problemas de saúde enfrentados pela população indígena, além de diminuir o tempo de espera para consultas ambulatoriais e ampliar a oferta de cuidados especializados. O projeto abrange os DSEIs Alto Rio Solimões, Vale do Javari, Alto Rio Purus, Alto Rio Juruá e Interior Sul.
Especialidades médicas em destaque
No total, a proposta oferece 14 especialidades médicas, incluindo reumatologia, urologia, ortopedia, cardiologia, endocrinologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, dermatologia, neurologia, psiquiatria, clínica médica, medicina de família e comunidade, geriatria e cuidados paliativos. Além disso, a iniciativa proporciona atendimentos em quatro áreas multiprofissionais: enfermagem, nutrição, fisioterapia e psicologia.
De acordo com Weibe Tapeba, secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, “essas estratégias se alinham a outras iniciativas que visam levar conectividade a mais de 700 Unidades de Saúde Indígena (UBSI) em todo o país. Os mil atendimentos realizados diretamente nos territórios indígenas não só diminuíram as remoções para hospitais, mas também mostraram que se trata de um atendimento qualificado, com resultados positivos.”
Foco em saúde materno-infantil e combate ao câncer
O projeto é estruturado em três linhas de cuidado: câncer de colo de útero, saúde materno-infantil e atenção psicossocial. Em setembro de 2025, foi lançada a Linha de Cuidado Digital Multiprofissional para o Combate ao Câncer do Colo do Útero, que organizou o rastreamento para mulheres elegíveis nos DSEIs Alto Rio Solimões e Vale do Javari.
No DSEI Alto Rio Solimões, por exemplo, foram realizadas 631 autocoletas para detecção de DNA do HPV em mulheres atendidas nos Polos Base de Belém do Solimões, Feijoal, Vila Bittencourt, Umariaçu I e Umariaçu II. Já no DSEI Vale do Javari, as ações ocorreram na aldeia São Luiz e na Casa de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) de Atalaia do Norte, ampliando o acesso ao rastreamento e às ações de prevenção do câncer do colo do útero.
Inovações no diagnóstico e tratamento
Além disso, foi iniciada a pesquisa molecular para detecção de DNA-HPV através de autocoleta com o uso do dispositivo Coari. Este dispositivo, que permite a autocoleta de material celular vaginal, é utilizado na triagem do HPV, e técnicas de biologia molecular foram implementadas nos Polos Base de Belém do Solimões, Feijoal e São Luiz. Treinamentos em videocolposcopia também foram realizados para capacitar médicos e enfermeiros do distrito.
Em 2026, está prevista a entrega de equipamentos point of care, que possibilitarão testes diagnósticos rápidos diretamente nos locais de atendimento. No DSEI Vale do Javari, na CASAI de Atalaia do Norte, a autocoleta com o dispositivo Coari já foi iniciada, e a regionalização do tratamento para casos de cirurgia de câncer de colo de útero foi pactuada com o município de Tabatinga, abrangendo os DSEIs Alto Rio Solimões e Vale do Javari.
Proadi-SUS: um apoio essencial
O Proadi-SUS representa uma aliança entre sete hospitais de referência no Brasil e o Ministério da Saúde, criada em 2009. O objetivo da parceria é fortalecer o Sistema Único de Saúde por meio de projetos voltados à capacitação de recursos humanos, pesquisa, avaliação e incorporação de novas tecnologias, além de oferecer gestão e assistência especializada conforme as necessidades do Ministério da Saúde.

