Uma Nova Abordagem para a Saúde Mental Feminina
A partir de março, mulheres em situações de violência ou vulnerabilidade psicossocial poderão acessar um teleatendimento especializado em saúde mental, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com informações da Agência Brasil, essa iniciativa do Ministério da Saúde começará nas cidades de Recife e Rio de Janeiro, com planos de expansão para outras áreas do país.
O cronograma estabelece que o serviço se estenderá a municípios com mais de 150 mil habitantes em maio, com a expectativa de que esteja disponível em todo o Brasil até junho. Estima-se que esse programa possa gerar cerca de 4,7 milhões de teleatendimentos psicológicos anualmente, em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
Como Funciona o Teleatendimento do SUS
O teleatendimento destina-se a mulheres que foram vítimas de violência ou que apresentam sinais de vulnerabilidade psicossocial. O acesso ao serviço pode ser feito por meio de encaminhamentos realizados nas unidades de saúde ou diretamente pela plataforma digital do SUS.
As usuárias poderão receber orientações em Unidades Básicas de Saúde (UBS), na atenção primária ou em outros serviços de apoio. Após o encaminhamento, um atendimento remoto será agendado com profissionais capacitados. Além disso, um mini aplicativo específico para esse serviço será disponibilizado no Meu SUS Digital, permitindo que as usuárias façam um cadastro com informações sobre suas situações.
Após essa avaliação inicial, o sistema informará por mensagem a data e o horário do teleatendimento, que terá como foco identificar riscos, avaliar a rede de apoio da paciente e mapear suas necessidades de acompanhamento.
Uma Equipe Multidisciplinar ao Seu Lado
O serviço contará com uma equipe composta por psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, e em determinadas situações, terapeutas ocupacionais também poderão ser incluídos no atendimento. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destaca que essa estrutura segue o modelo de outras iniciativas digitais da pasta. “Recentemente, lançamos um teleatendimento voltado ao suporte para pessoas em situações de compulsão por jogos eletrônicos. Agora, aplicaremos um modelo semelhante para mulheres, com adaptações necessárias para a atenção primária à saúde e em parceria com estados e municípios”, explicou Padilha.
Ele ressaltou que o serviço não se restringe apenas a mulheres que já foram vítimas de violência, mas também abrange aquelas que estão em extrema vulnerabilidade ou que sinalizam possíveis riscos.
Discurso de Lula Enfatiza a Violência Contra Mulheres
Em um pronunciamento feito na noite do último sábado (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ressaltou a necessidade de combater a violência contra mulheres e o feminicídio no Brasil. A declaração ocorreu em cadeia nacional de rádio e televisão, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia seguinte.
Durante seu discurso, Lula mencionou dados alarmantes que indicam um aumento no número de feminicídios, sublinhando que, em média, quatro mulheres são assassinadas diariamente no país. O presidente apresentou iniciativas do governo dirigidas ao enfrentamento da violência de gênero e destacou programas sociais que, segundo ele, visam beneficiar especialmente mulheres e suas famílias.
“A cada seis horas, uma mulher é morta no Brasil. Cada feminicídio é consequência de um conjunto de violências diárias, muitas vezes silenciosas e naturalizadas. A maioria dessas agressões ocorre no lar, no espaço que deveria ser seguro”, afirmou Lula.

