Conexões Musicais e Memórias de um Ícone
O renomado guitarrista Steve Hackett, conhecido por seu trabalho com a banda Genesis, está de volta ao Brasil para apresentações que prometem reviver clássicos da banda além de suas composições solo. Durante a sua visita, o músico não só compartilha suas lembranças da década de 70, como também fala sobre suas colaborações com artistas brasileiros como Ritchie e sua admiração por Ney Matogrosso e Rafael Rabello. Com 76 anos, Hackett reflete sobre as transformações na música ao longo das décadas e enfatiza a importância da autenticidade nas performances ao vivo.
Entre risos, Hackett recorda um momento divertido de sua juventude: “Havia uma piada famosa que dizia que uma boa festa nos anos 70 era quando todos chegavam, fumavam seus baseados e escutavam o álbum ‘The Dark Side of the Moon’, e depois acordavam horas depois acreditando que tinham tido uma festa incrível”. Essa leveza é evidente em sua abordagem artística, que combina nostalgia e inovação. Ele se prepara para subir ao palco no próximo sábado (21) no Vivo Rio, e no domingo (22) no Espaço Unimed, em São Paulo, acompanhado da aclamada banda cover argentina Genetics.
Uma Viagem Musical pelo Tempo
Em suas apresentações, Hackett pretende trazer não só os sucessos que marcaram sua carreira no Genesis, como também canções de seus álbuns solo lançados ao longo dos anos. Ele menciona que a conexão entre os Beatles e o Genesis se dá pela qualidade das composições, destacando que “as pessoas têm carinho pelas músicas com as quais cresceram”. Um de seus maiores desafios será tocar “Supper’s Ready”, um épico de 23 minutos que representa a essência do rock progressivo.
Hackett explica que nos anos 70, ele acreditava que o público se deixaria levar por uma experiência musical mais elaborada, mesmo sem a ajuda de videoclipes. “As pessoas estavam imersas em álbuns, que eram essenciais na época. Bandas como Led Zeppelin e Pink Floyd podiam atingir o estrelato sem depender de sucessos em formato de single”, comenta. Hoje, ele observa a evolução com a tecnologia e como a indústria musical mudou. “Atualmente, fazer uma canção de sucesso pode ser tão simples quanto apertar um botão, e a inteligência artificial pode compor melodias por você. No entanto, a magia de uma apresentação ao vivo ainda é insubstituível.”
Reconexões e Colaborações Musicais
A visita de Hackett ao Brasil também é uma oportunidade de reencontrar velhos amigos e colaborar com músicos locais, incluindo Ritchie. “Estou regravando uma versão de ‘Voo de coração’, que fizemos há anos. A nova interpretação ainda soa linda e estou muito animado com isso”, expressa o guitarrista. Ele relembra momentos marcantes de sua carreira no Brasil, incluindo seu casamento com a artista plástica Kim Poor e as gravações de seu álbum “Till We Have Faces” com músicos brasileiros, que enriqueceram sua visão musical.
Ao falar sobre seus encontros com músicos brasileiros, Hackett ressalta a genialidade deles, afirmando: “O que sempre me impressionou é que, muitas vezes, era só um homem e um tambor. A percussão tem o poder de criar paisagens sonoras tão complexas quanto instrumentos de corda.” Para ele, aprender com músicos como Airto Moreira e Sidinho Moreira foi fundamental. “Esses encontros me ajudaram a perceber a importância da improvisação e da entrega na música.”
Admiração por Ney Matogrosso e Influências Passadas
Hackett também compartilha uma conversa que teve com Brian May, guitarrista do Queen, durante o Rock in Rio de 1985. “Nós dois éramos grandes fãs do Ney Matogrosso. Ney, com seu talento excepcional, tocava com músicos incríveis, incluindo Rafael Rabello, um violonista que me influenciou muito”, recorda. Para ele, Rabello era um exemplo de sensibilidade romântica brasileira combinada com a técnica do flamenco, mostrando como a música pode ser um elo entre diferentes culturas.
Em resumo, Steve Hackett traz ao Brasil não apenas sua música, mas também seus laços afetivos e experiências que marcaram sua carreira. As apresentações prometem ser uma celebração da música, da amizade e do intercâmbio cultural que transcende fronteiras.

