Turismo de Base Comunitária na Costa Verde
Na Costa Verde do Rio de Janeiro, o projeto Roteiro Caiçara surge como uma proposta inovadora que visa fortalecer o turismo de base comunitária (TBC). Essa iniciativa é organizada pelas próprias comunidades, com o intuito de realizar visitas que respeitem o território, a população local e o meio ambiente. Desde seu lançamento, em junho de 2025, o projeto tem promovido formações e reuniões com diversas comunidades locais, culminando em seis meses de atividades que preparam o cenário para a sua continuidade.
A segunda fase do projeto já está prevista para começar em 2026, com a participação de 12 comunidades caiçaras e quilombolas. Entre elas, destacam-se seis localidades em Paraty: Saco do Mamanguá, Trindade, Parati Mirim, Praia do Sono, Ponta Negra e São Gonçalo. Além disso, outras seis comunidades estão envolvidas na Ilha Grande, município de Angra dos Reis: Bananal, Matariz, Aventureiro, Enseada das Estrelas, Dois Rios e Praia Vermelha.
Desafios e Oportunidades para o Turismo Local
A Costa Verde fluminense é rica em diversidade cultural, abrigando comunidades tradicionais, como caiçaras, indígenas e quilombolas. Esses grupos oferecem produtos e serviços geridos por indivíduos, famílias e coletivos locais. No entanto, a região enfrenta desafios significativos, especialmente desde a década de 1970, quando a BR-101 foi aberta, intensificando as pressões de grilagem e especulação imobiliária. A situação se agrava com o turismo de massa, que muitas vezes resulta na concentração de renda e na ampliação dos impactos ambientais e sociais.
O projeto Roteiro Caiçara tem um prazo total de três anos e é estruturado em cinco frentes de atuação: capacitações voltadas para o turismo; melhorias na infraestrutura local; manejo de trilhas; definição de roteiros turísticos; e conservação ambiental. Esses esforços visam garantir que o turismo na região seja sustentável e beneficie os moradores locais, ao invés de outsiders que, tradicionalmente, dominam essa área.
O Diferencial do TBC
Conforme explica Bete Canela, coordenadora do projeto, o turismo de base comunitária se distingue do turismo de massa, que muitas vezes é conduzido por pessoas de fora das comunidades e por empresas que não têm ligação com o território. O enfoque do TBC está em valorizar a cultura local, respeitar o meio ambiente e promover um relacionamento mais próximo entre visitantes e moradores. Essa abordagem não só enriquece a experiência do turista, mas também proporciona aos cidadãos locais uma oportunidade de gerar renda e preservar seus modos de vida.
Com iniciativas como o Roteiro Caiçara, a expectativa é que a Costa Verde se torne um exemplo de como o turismo pode ser uma ferramenta de desenvolvimento econômico sustentável, promovendo a valorização das comunidades e a conservação das belezas naturais da região. O impacto positivo dessa proposta é um passo essencial para a construção de um turismo mais consciente e respeitoso no Brasil.

