Teimosia e Saúde: O Que Impediu Pelé de Brilhar na Olimpíada
Em 2016, Pelé foi convidado para desempenhar um papel icônico durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, mas decidiu não participar. O motivo? O Rei do Futebol não queria ser visto por milhões de espectadores com dificuldades para andar. Na época, Pelé informou ao público que sua ausência se devia a problemas de saúde, mas agora, em um livro intitulado “Pelé: o legado desconhecido”, seu confidente e empresário, José Fornos Rodrigues, conhecido como Pepito, revela que a decisão foi também resultado de uma teimosia significativa do atleta, que faleceu em 2022.
Pepito recorda: “Pelé era realmente teimoso. Na minha opinião, a mais grave de suas teimosias ocorreu durante essa Olimpíada. Estivemos no Rio dias antes da abertura e os organizadores prepararam tudo pensando na sua participação. Planejaram um elevador que permitiria que ele descesse com facilidade, levando-o até a pira olímpica com apenas alguns passos. Mas ele foi claro: ‘Não vou, não vou, não vou’.”
Naquele ano, Pelé já enfrentava dificuldades de mobilidade, resultado de uma cirurgia considerada mal sucedida realizada quatro anos antes, que visava corrigir um problema no quadril. Apesar das limitações físicas, a expectativa em relação à sua participação era muito alta. Embora nunca tenha competido em uma Olimpíada devido às regras anteriores do Comitê Olímpico Internacional, Pelé foi um embaixador ativo na campanha para trazer os jogos ao Brasil.
“Ficamos absolutamente desesperados”, afirmou Pepito. “Eu já havia falado com o diretor-geral do evento. Estava tudo pronto: avião e helicóptero à disposição, mas ele permanecia irredutível. Tentamos de tudo para convencê-lo, mas não teve jeito. A organização do evento aguardou até a véspera da cerimônia na esperança de que Pelé mudasse de ideia, mas, naturalmente, tinham um plano B preparado. O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima acabou sendo escolhido para acender a pira olímpica e surpreendeu a todos com uma emocionante cerimônia”.
É lamentável que certas situações envolvendo figuras públicas não tenham explicações claras. A recusa de Pelé em acender a pira olímpica, que poderia ter sido um momento memorável, é um exemplo disso. A história de Pelé nas Olimpíadas nos faz refletir sobre como a saúde e a personalidade podem interferir em grandes momentos.

