Desfile e Rebaixamento da Acadêmicos de Niterói
A Acadêmicos de Niterói, a escola de samba que prestou homenagem ao presidente Lula no último desfile do Carnaval do Rio de Janeiro, foi rebaixada para a Série Ouro após uma performance que deixou a desejar. Com apenas duas notas 10 na apuração, a escola somou 264,6 pontos, ficando em última colocação, atrás da Mocidade Independente de Padre Miguel.
O enredo escolhido pela Acadêmicos de Niterói, intitulado “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, não apenas celebrou a trajetória do presidente, mas também despertou críticas e tentativas de intervenção judicial. Oposição ao governo argumentou que o desfile configurava propaganda eleitoral antecipada. Embora Lula não tenha se envolvido diretamente na elaboração do enredo e não tenha desfilado, ele esteve presente na Sapucaí, acompanhando o evento de um camarote cedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Na ocasião, estava ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), da primeira-dama, Janja da Silva, e de outros ministros e aliados.
A Acadêmicos de Niterói havia conquistado a vitória na Série Ouro em 2025, o que a levou ao Grupo Especial neste ano. No entanto, a história recente do carnaval mostra que é comum que escolas promovidas enfrentem o rebaixamento na temporada seguinte. Além das questões políticas, o desfile da escola enfrentou falhas técnicas. Especialistas destacaram problemas em diferentes quesitos de avaliação, o que pode ter contribuído para o desempenho aquém do esperado.
Em resposta às críticas, a Acadêmicos de Niterói divulgou uma nota oficial antes da apuração, alegando perseguição. No comunicado, a escola expressou que houve tentativas de interferência na sua autonomia artística, com pressões para mudar o enredo e questionamentos sobre a letra do samba. “Houve tentativas de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar”, ressaltou a nota. A Acadêmicos também fez referência ao que considera um histórico injusto no Carnaval, mencionando a narrativa de que ‘quem sobe, desce’.
Críticas Políticas e Representações no Desfile
O desfile da Acadêmicos de Niterói não foi apenas uma demonstração de samba e alegria, mas também um espaço de crítica política. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi representado como um palhaço, simbolizando a oposição ao governo atual. A escola também fez referência a Michel Temer, retratando o ex-presidente arrancando a faixa presidencial de uma mulher que seria Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil. Essas representações ressaltaram a polarização política que permeia o país, tornando o evento não apenas uma celebração cultural, mas também um terreno fértil para expressões de opinião e crítica.
O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói para a Série Ouro promete ser um tema de discussão entre os amantes do carnaval e analistas políticos. A ligação entre a cultura do samba e as questões políticas do Brasil é um fenômeno que se intensifica a cada ano. Para muitos, o carnaval é mais do que uma festividade; é uma oportunidade de refletir sobre a sociedade e expressar anseios e descontentamentos através da arte e da música. Ao mesmo tempo, a jornada da Acadêmicos de Niterói serve como um lembrete sobre os desafios que as escolas de samba enfrentam em um cenário político complexo e frequentemente voltado para o debate.

