Desempenho Prejudicado pelo Setor Industrial
A produção industrial do Ceará apresentou um desempenho alarmante em novembro de 2025, registrando a terceira maior queda do Brasil, com uma retração de 2,6% em relação ao mês anterior. O estado ficou atrás apenas de Goiás, que teve uma diminuição de 6,4%, e do Amazonas, com -2,8%. Essa situação preocupa, pois o índice do Ceará ficou abaixo da média nacional, que se manteve estável em 0%, de acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 14 de janeiro.
O impacto da queda na produção industrial cearense é ainda mais significativo considerando o desempenho dos demais estados. Mato Grosso liderou com um impressionante crescimento de 7,2%, seguido pelo Espírito Santo, que cresceu 4,4%. Outros estados como Paraná e Pernambuco também apresentaram resultados positivos, embora mais modestos, com aumentos de 1,1% e 0,9%, respectivamente.
Setores Afetados e As Causas da Queda
Os dados revelam um cenário sombrio para o setor industrial do Ceará. No acumulado dos onze meses de 2025, a retração total foi de 0,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa baixa foi principalmente influenciada por setores críticos, com destaque para máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que apresentaram um recuo de 1,61%. O vestuário também contribuiu negativamente, com uma queda de 1,15%.
Além desses, outros setores que mostraram resultados ruins incluem o refino e biocombustíveis (-0,72%), têxtil (-0,7%) e bebidas (-0,45%). A situação é um reflexo da instabilidade econômica que o estado tem enfrentado.
Setores em Alta
Apesar das quedas expressivas, alguns setores conseguiram se destacar positivamente. A metalurgia, por exemplo, teve um crescimento de 1,2%. Os alimentos também mostraram resiliência, com um aumento de 1,18%. Produtos químicos e produtos de couro e calçados tiveram incrementos de 1,14% e 0,19%, respectivamente. O setor de produtos de metal, embora com um crescimento mínimo de 0,03%, também contribuiu para um desempenho menos negativo.
Comparativo Nacional: Um Quadro Amplo
No cenário nacional, a estabilidade da produção industrial é um sinal de alívio, mas não é suficiente para disfarçar as disparidades entre os estados. Embora a produção industrial tenha permanecido 2,4% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020), ainda está 14,8% abaixo do recorde histórico de maio de 2011. Essa realidade gera preocupações sobre a capacidade de recuperação do setor em um contexto de crise.
Em termos de atividades industriais, a principal contribuição negativa foi observada nas indústrias extrativas, que recuaram 2,6% em novembro, eliminando parte dos ganhos de 3,5% do mês anterior. Setores como veículos automotores, reboques e carrocerias também tiveram contribuições negativas significativas, com quedas de 1,6%. Além disso, produtos químicos e alimentícios apresentaram resultados negativos, com recuos de 1,2% e 0,5%, respectivamente.
Por outro lado, algumas atividades mostraram recuperação. O setor de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, por exemplo, teve um crescimento expressivo de 9,8%, interrompendo uma sequência de dois meses seguidos de quedas. Outras áreas que se destacaram com crescimento foram impressão e reprodução de gravações (18,3%) e metalurgia (1,8%).
Com a combinação de resultados variados entre os estados e setores, a indústria brasileira se apresenta como um microcosmo das dificuldades e possíveis recuperações que o país enfrenta. Enquanto alguns setores e estados prosperam, outros precisam urgentemente de estratégias para recuperação e crescimento.

