Mobilização em Defesa da Educação na Rocinha
A Regional 1 do Sepe convoca a comunidade escolar do Ciep 303 Ayrton Senna, localizado na Rocinha, além de membros das organizações sociais da favela, para um novo ato de protesto. O evento está agendado para a próxima quarta-feira, dia 11, a partir das 9h. A intenção é promover um abraço simbólico em defesa da única unidade de ensino médio que atende os jovens da região, que vem enfrentando sérias questões de infraestrutura desde o início do ano letivo de 2026.
Este será o terceiro ato público realizado para denunciar os problemas estruturais enfrentados pela escola. A precariedade das instalações elétricas e hidráulicas levou a unidade a oferecer aulas no pátio, em decorrência do risco de incêndios, um episódio que gerou apreensão entre alunos e educadores.
Histórico de Protestos e Demandas
Os protestos anteriores, que tiveram ampla cobertura na imprensa e nas mídias comunitárias, aconteceram nos dias 26 de fevereiro e 03 de março, reunindo profissionais da educação, alunos e representantes de organizações sociais da Rocinha. Durante a última manifestação, a comunidade chegou a interditar parcialmente a Estrada da Gávea, evidenciando a urgência das reivindicações diante da inércia da Secretaria de Educação (SEEDUC) para resolver as questões acumuladas desde o início das aulas.
A situação caótica, que inclui a falta de eletricidade e água na escola, foi levada à nova secretária de Educação, Luciana Calaça, em audiência realizada no dia 06 de março. No encontro, a direção do Sepe expôs as dificuldades estruturais, e a secretária prometeu apresentar uma solução em breve. Contudo, a manutenção oferecida pela Secretaria foi considerada insuficiente, reforçando a necessidade de um protesto mais contundente nesta quarta-feira.
Reivindicações e Críticas ao Governo
O Sepe RJ também expressou seu descontentamento em relação à declaração do governador Cláudio Castro, que, em evento na Região dos Lagos, afirmou não haver viabilidade para a recomposição salarial dos servidores estaduais no momento. Segundo ele, a crise fiscal do estado impossibilita a concessão de reajustes.
O governador reconheceu publicamente que a valorização dos servidores não é uma prioridade de sua gestão, uma afirmação que gerou indignação entre os profissionais da educação. Castro argumentou que a dívida do estado, estimada em cerca de R$ 19 bilhões, é um dos fatores que limitam a possibilidade de melhorias salariais.
No entanto, o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) contestou essa justificativa, afirmando que há uma margem orçamentária de aproximadamente R$ 4 bilhões disponível para reajustes. Ele observou que o custo para honrar as parcelas restantes de recomposição salarial de anos anteriores seria inferior a R$ 3 bilhões, indicando que há recursos suficientes para atender as demandas dos servidores.
Transparência e Fiscalização na Educação
O Sepe ressaltou, ainda, que na primeira audiência com a nova secretária de Educação, em fevereiro, foram abordadas questões relacionadas à pauta salarial e a secretária assumiu o compromisso de tentar agendar uma nova reunião com a Secretaria da Fazenda para discutir o piso nacional do magistério e as perdas salariais acumuladas.
A crítica do sindicato à falta de recomposição salarial é reforçada por denúncias sobre desvios de verbas e a má gestão financeira na Secretaria de Educação. Acusações de superfaturamento em compras e utilização inadequada do Sistema Descentralizado de Pagamento para obras em escolas têm sido comuns, levantando suspeitas sobre a administração das finanças públicas.
Assembleia e Próximos Passos
Neste sábado, dia 7 de março, o Sepe realizará uma assembleia híbrida no auditório do Sinpro-RJ, visando discutir a campanha salarial de 2026 e a negativa do governador em conceder reajustes. Os profissionais da educação estão convidados a participar presencialmente ou online, por meio de um link disponibilizado pelo sindicato.
Além disso, a diretoria do Sepe se reuniu com a SEEDUC no dia 4 de março, onde foram abordadas questões pedagógicas e econômicas, incluindo a implementação do Piso Nacional do Magistério. Uma nova audiência com a SEEDUC já está agendada para o dia 8 de abril, onde novas pautas devem ser discutidas. A luta por melhores condições de ensino e valorização dos profissionais da educação continua.

