Desembargador Ricardo Couto de Castro no Comando do Estado
Para garantir a continuidade da liderança no Estado do Rio de Janeiro, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto de Castro, decidiu adiar uma viagem internacional programada para o próximo fim de semana. A decisão ocorre em um momento de incertezas, dado que o governador Cláudio Castro também se encontra no exterior e, se ambos se ausentassem, o comando do governo recairia sobre o presidente interino da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Guilherme Delaroli (PL). Essa possibilidade gerou preocupações e repercussões negativas.
Com a sua decisão de permanecer, Couto de Castro agora exerce a função de governador temporariamente. A assunção foi formalizada após ele receber um ofício da Alerj notificando sobre a viagem do governador Cláudio Castro. Essa medida evita uma potencial crise de liderança no Estado e garante que a administração permaneça estável durante a ausência do chefe do Executivo.
Como Funciona a Linha Sucessória no Rio de Janeiro?
De acordo com a Constituição estadual, o presidente do TJ ocupa o terceiro lugar na linha sucessória do governo, assumindo interinamente na falta do governador e do vice-governador. O desembargador permanecerá no cargo até que Cláudio Castro retorne ao país. É importante ressaltar que, por se tratar de uma substituição temporária, não há afastamento da presidência do TJ-RJ, o que permite que Couto de Castro mantenha suas funções judiciais enquanto exerce a função executiva.
No entanto, a sucessão no governo do Rio não é tão simples. A Constituição estabelece que a sucessão é limitada ao governador, vice-governador e aos presidentes dos demais Poderes. As condições atuais foram influenciadas por mudanças políticas e judiciárias que resultaram em uma linha sucessória diferente da habitual. O vice-governador Thiago Pampolha renunciou ao cargo para assumir uma posição no Tribunal de Contas do Estado, enquanto o deputado Rodrigo Bacellar foi afastado da presidência da Alerj por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com o afastamento de Bacellar, Guilherme Delaroli, agora, exerce interinamente a presidência da Alerj. Vale destacar que, segundo a regra sucessória do Rio, o presidente interino da Assembleia não assume o governo em caso de vacância, fazendo com que a sucessão avance diretamente do governador Cláudio Castro para o desembargador Ricardo Couto. Essa situação gera um cenário curioso e bem particular na política fluminense, onde mudanças rápidas podem alterar o curso da administração pública.
Repercussões na Política Fluminense
A decisão de Couto de Castro de permanecer no Brasil para garantir a continuidade do governo do Estado reflete uma preocupação com a estabilidade política durante um período de incertezas. A ausência simultânea do governador e do vice poderia criar um vácuo de poder que seria problemático, especialmente em tempos em que questões sociais e econômicas exigem uma liderança firme e presente.
Especialistas em política fluminense comentam que ações como essa são essenciais para evitar descontentamentos populares e manter a confiança na administração. A interinidade de Couto de Castro pode ser vista como uma medida preventiva, mas também destaca a fragilidade da estrutura de poder no Estado, que tem enfrentado desafios significativos nos últimos anos.
Enquanto o desembargador assume essa nova responsabilidade, a expectativa é de que ele mantenha o diálogo aberto com os demais Poderes e continue a priorizar a governança e a segurança dos cidadãos fluminenses. A estrutura de sucessão e os fatores políticos que levaram a essa situação devem ser observados de perto, pois podem impactar o rumo da política no Rio de Janeiro nos próximos meses.

