A luta pela presença feminina na política
Ao celebrarmos a conquista do voto feminino no Brasil, é essencial refletir sobre o ainda longo caminho a ser percorrido em termos de participação política das mulheres. Rosilene Corrêa, diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), destaca a relevância dessa participação e os desafios enfrentados pelas mulheres nesse cenário.
A participação política vai muito além de simplesmente votar. O pleno desenvolvimento como cidadã e a capacidade de influenciar decisões políticas sempre estiveram limitados para as mulheres. Apesar dos avanços conquistados, os direitos políticos femininos ainda se mostram restritos. Um dos principais obstáculos é a desigualdade na divisão do trabalho, que ainda onera as mulheres com a responsabilidade quase exclusiva pelas tarefas domésticas. Essa situação impede que muitas delas consigam dedicar tempo a atividades políticas, como participação em movimentos comunitários, sindicatos ou associações.
Outra barreira significativa é a violência política de gênero, que visa silenciar e intimidar aquelas que se arriscam a ocupar espaços políticos. Essa forma de opressão se manifesta em desqualificações constantes e até ameaças físicas, criando um ambiente hostil para a participação feminina.
O cenário atual da representação feminina
Esse contexto se reflete na escassa presença das mulheres nos parlamentos brasileiros. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, apenas 91 mulheres foram eleitas em 2022, representando apenas 17,7% do total de 513 deputados. Em contrapartida, o número de homens que ocupam essas vagas é alarmante, correspondendo a 82,3% do total.
Apesar desses dados desanimadores, é importante notar que a presença feminina na política cresceu em relação a décadas anteriores. Em 2002, apenas 42 mulheres foram eleitas, o que demonstra uma evolução significativa ao longo de 20 anos. Isso se deve, em grande parte, à luta organizada das mulheres, que conquistaram mecanismos jurídicos essenciais para garantir sua participação nas eleições.
Por que mais mulheres na política?
A presença feminina na política é imprescindível, uma vez que as mulheres representam mais da metade da população brasileira. Elas trazem uma perspectiva única e necessária na formulação de políticas públicas, uma vez que vivenciam as realidades e desafios diários enfrentados por outras mulheres. A masculinização dos espaços políticos é um desafio que precisa ser urgentemente superado. Como sabiamente afirmou a ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet: “quando uma mulher entra na política, muda a mulher; mas quando muitas mulheres entram na política, muda a política”.
A luta por um Congresso Nacional mais representativo é também uma questão de democracia. A predominância de homens brancos e ricos em posições de poder levanta a questão: quem realmente está sendo representado por eles? Portanto, a inclusão de mais mulheres na política é vital para a verdadeira representação das vozes e necessidades da população.
Um chamado à ação
A resistência ao machismo estrutural que tenta marginalizar as mulheres na política deve ser enfrentada com coragem e determinação. Historicamente, as mulheres brasileiras têm demonstrado resiliência e força, e é por meio da organização e luta coletiva que já conseguimos superar muitos obstáculos. A continuidade dessa luta é essencial para conquistar ainda mais espaços e direitos políticos.
Em conclusão, é urgente promover uma maior participação política das mulheres, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e que possam contribuir ativamente nas decisões que afetam suas vidas e de toda a sociedade. Com a união e a força das mulheres, é possível alcançar novos patamares na política brasileira.

