O Alinhamento do MDB com os Favoritos
Historicamente, o MDB do Rio de Janeiro tem seguido a tática de se aliar aos candidatos favoritos nas disputas eleitorais. Essa estratégia, que se consolidou após o governo de Rosinha Garotinho, eleito pelo PSB em 2002, gerou resultados positivos em diversas eleições. Um exemplo marcante ocorreu em 2006, quando a sigla apoiou Sérgio Cabral, que se tornou uma figura central na política fluminense ao ganhar a eleição e reeleger-se em 2010, trazendo Luiz Fernando Pezão em sua chapa.
Entretanto, nem sempre essa estratégia se mostrou infalível. Na eleição de 2018, o MDB, então sob a liderança de Eduardo Paes, enfrentou um revés inesperado. Apesar de Paes ser considerado o favorito para a disputa, o partido, fragilizado pela Operação Lava-Jato, não lançou um candidato a vice e ficou sem um representante ao Senado. O impacto da onda bolsonarista, que trouxe Wilson Witzel à vitória, evidenciou a fragilidade do MDB naquela eleição.
Após a destituição de Witzel por impeachment, a trajetória do MDB voltou a brilhar, ao apoiar Cláudio Castro nas eleições de 2022. Inicialmente, a candidatura contava com Washington Reis como vice, mas ele foi afastado pela Justiça Eleitoral. Em seu lugar, Thiago Pampolha, que na época era do União Brasil, passou a integrar a chapa. Essa mudança não impediu o MDB de emergir novamente como uma força política influente.
A História Marcante do MDB no Estado
A trajetória do MDB é marcada pelo protagonismo e por uma habilidade notável em se adaptar às circunstâncias políticas. Desde a redemocratização do Brasil, o partido conseguiu eleger três dos nove governadores do estado. Esse feito é significativo, especialmente considerando que a sigla conseguiu interromper o domínio da chamada “família brizolista”, que inclui figuras como Leonel Brizola e seus sucessores.
O partido teve sua era de ouro sob a liderança de Moreira Franco, um dos principais nomes da política fluminense que se destacou por sua atuação independente. Embora tenha havido outros líderes como Marcello Alencar, Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, que romperam com o PDT, apenas conseguiram ascender em relevância devido à relação com Brizola.
A habilidade do MDB em se reinventar revela um fisiologismo característico, sempre pronto para aproveitar oportunidades políticas. Isso fica evidente no atual apoio a Eduardo Paes, a menos de oito meses da eleição, demonstrando que o partido não hesita em se aliar a quem está em ascensão.
Essa dinâmica reflete um cenário onde a política se movimenta rapidamente, e o MDB, mesmo com altos e baixos ao longo dos anos, continua a ser um player significativo no tabuleiro político do Rio de Janeiro. O alinhamento com Paes pode ser visto como uma estratégia calculada, visando garantir sua relevância e influência nas próximas eleições.

