Gravação Inesquecível em Grande Estilo
Ao retornar ao palco do Vivo Rio, Maria Bethânia trouxe uma nova dimensão ao seu espetáculo em celebração aos 60 anos de carreira. Com um público ansioso, o show, que aconteceu no dia 17 de janeiro, marcou a primeira das duas gravações ao vivo que vão eternizar este momento icônico da artista. Desde a sua estreia, em 6 de setembro de 2025, o espetáculo já passou por diversas transformações, mantendo sempre a essência que encanta os fãs da cantora.
Nos anos em que acompanho a trajetória de Bethânia, percebo que cada apresentação é única. A combinação de seu canto intenso e a atmosfera do palco criam uma experiência inigualável. Contudo, a expectativa para essa gravação estava em alta, especialmente com a presença do público, que neste dia estava acomodado em mesas, tornando a atmosfera mais íntima e calorosa.
Transformações no Repertório
Como é tradicional na obra de Bethânia, a cantora optou por fazer cortes em seu repertório audacioso. O show, que não buscava alinhar todos os seus grandes hits, apresentou algumas surpresas. Por exemplo, a canção “Mar e lua” (1980) foi substituída por “Olhos nos olhos” (1976), um marco na carreira de Bethânia, que a ajudou a conquistar o público de rádio há mais de 50 anos, tornando-se uma artista de grande apelo popular.
“Olhos nos olhos” é um verdadeiro clássico e, apesar de sua presença frequente em seus shows, não deixou de ser um momento de grande emoção para a plateia. O impacto da música foi palpável, gerando reações quase catárticas entre os espectadores. Mesmo assim, a troca de “Mar e lua” por “Olhos nos olhos” deixou os críticos e os fãs mais atentos à construção do roteiro em um dilema interessante sobre o que realmente vale a pena manter em um show tão marcante.
A Ausência de Outros Clássicos
Além das mudanças, dois grandes sucessos ficaram de fora: “Gás neon” (Gonzaguinha, 1974) e “Eu mais ela” (Chico César, 2025). A falta dessas músicas já havia sido notada em apresentações anteriores, e muitos fãs expressaram sua frustração por não vê-las no repertório. “Eu mais ela”, uma contribuição empolgante de Chico César, merece um registro oficial ao vivo, assim como a recente gravação de estúdio de “Vera Cruz”. Essa ausência é sentida em um show que tem como proposta revisitar os grandes momentos da carreira de Bethânia.
No entanto, é crucial destacar a performance vocal da artista, que estava absolutamente deslumbrante na gravação. Sua voz, em pleno vigor, trouxe uma energia renovada ao palco, mesmo que a apresentação do dia 17 tenha carecido de um brilho específico. A expectativa para o último dia de gravação, com o público na pista, é de que a temperatura do show aumente, gerando uma interação ainda mais intensa entre a cantora e sua plateia.
Maria Bethânia, com seu legado inegável, continua a encantar e a surpreender. A captura desse espetáculo em formato audiovisual promete se tornar um marco na história da música brasileira, celebrando não apenas sua trajetória, mas também a força que sua arte exerce sobre as gerações.

