Articulações para o Mandato-Tampão no RN
O cenário político no Rio Grande do Norte se intensifica com a movimentação do Partido dos Trabalhadores (PT) para lançar uma candidatura própria ao governo-tampão, em resposta ao anúncio feito pelo vice-governador Walter Alves (MDB). Alves informou que deixará seu cargo até abril, o que altera a dinâmica de sucessão da atual governadora, Fátima Bezerra (PT). A governadora planeja renunciar ao seu mandato para concorrer a uma vaga no Senado, criando uma lacuna que requer a convocação de uma eleição indireta pela Assembleia Legislativa, conforme prevê a Constituição. Esse processo está destinado a ser uma disputa intensa entre os grupos políticos: petistas, Centrão e representantes do bolsonarismo.
A Surpresa do Vice-Governador
Walter Alves, que preside o MDB no estado, anunciou sua saída do governo na última segunda-feira. Ele revelou que, além de sua candidatura a deputado estadual em outubro, pretende apoiar uma chapa de oposição ao PT. Para que tanto Bezerra quanto Alves possam concorrer em outubro, ambos devem deixar seus cargos na administração até o mês de abril.
No contexto da sucessão, Fátima Bezerra manifesta apoio ao secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), como seu substituto nas eleições de outubro. Xavier também é um forte candidato para representar o PT na eleição indireta que ocorrerá na Assembleia, ao lado do deputado estadual Francisco do PT, outro nome cogitado.
Samanda Alves, presidente do PT do Rio Grande do Norte, expressou surpresa com a decisão de Walter Alves: “Não contávamos com essa possibilidade. Agora, estamos buscando diálogo com a bancada de esquerda e com o presidente da Assembleia. Também estamos sendo procurados por partidos de outros campos políticos”, afirmou.
Desafios para a Governadora
A possibilidade de uma candidatura de oposição ao governo-tampão levanta preocupações entre os assessores de Fátima Bezerra, visto que o escolhido pela Assembleia permanecerá no cargo durante um período crucial de campanha eleitoral. Esse intervalo é considerado estratégico para fortalecer as candidaturas ao Executivo estadual.
Um dos principais obstáculos para Bezerra é a influência do PL na Assembleia Legislativa, partido que pode contar com cerca de um terço dos votos na eleição indireta. Assim, o cenário torna-se desafiador para a governadora, especialmente em um estado que é um dos redutos eleitorais de Rogério Marinho (PL), um dos principais adversários na corrida pelo governo.
A base governista, formada pelo PT e PV, possui seis cadeiras, o mesmo número que o PL. Contudo, há expectativas de que a bancada bolsonarista possa se expandir com a janela partidária, tornando-se a maior na Casa. Em contrapartida, a coligação composta por União Brasil e PP conta com três cadeiras, enquanto o PSDB mantém outras seis.
Alves e Suas Alianças
Em sua nota divulgada, Walter Alves afirmou que comunicou à governadora a decisão do MDB de formar aliança com a Federação União Progressista (União Brasil e PP) e o PSD. Essa decisão de apoiar uma chapa de oposição, segundo Alves, foi resultado de discussões com seus correligionários.
Além disso, o vice-governador reafirmou seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em conversa com Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, e Edinho Silva, presidente do PT. “Estamos alinhados e comprometidos com o projeto nacional”, ressaltou.
Perspectivas para a Governadora
Fátima Bezerra já articula sua candidatura ao Senado, que, segundo ela, está bem avançada politicamente e busca também contribuir com a reeleição de Lula. “Minha candidatura ao Senado é uma prioridade para o PT nacional. Reconheço a importância dessa disputa congresso para a democracia”, comentou Bezerra em entrevista ao GLOBO.
O PT, em nota, destacou a importância da candidatura da governadora no contexto do fortalecimento da estabilidade democrática, especialmente frente à crescente influência da extrema direita. “Estamos realizando todos os diálogos necessários com as forças comprometidas com os interesses do Rio Grande do Norte, buscando uma unidade interna que permita a continuidade das políticas públicas e das obras em andamento”, finaliza a sigla.

