Troca de Acusações entre Lula e Zema Após Tragédias em Minas
A devastação provocada pelas intensas chuvas que atingiram Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, na semana anterior, gerou um acirrado embate entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador Romeu Zema (Novo). Ambos os lados trocaram acusações sobre a aplicação de verbas que poderiam ter minimizado os impactos da crise no estado. Após os deslizamentos de terra e alagamentos que deixaram pelo menos 72 mortos, as administrações apresentaram versões divergentes quando questionadas sobre o financiamento das obras de infraestrutura de prevenção em Minas Gerais.
A tensão entre os líderes políticos aumentou após Lula afirmar que o governo de Minas não teria utilizado recursos do Novo PAC para realizar obras de contenção de encostas e drenagem. Essa declaração foi feita durante a 6ª Conferência Nacional das Cidades, realizada em Brasília na última sexta-feira. Na ocasião, Lula indagou o ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), sobre o destino dos R$ 3,5 bilhões disponibilizados ao governo federal, recebendo a resposta de que Minas não apresentou “o projeto e a documentação para que as obras pudessem ser contratadas”.
“Isso é resultado do descaso histórico que sempre existiu em relação ao povo pobre deste país”, destacou Lula durante o evento, enfatizando a necessidade de ações efetivas.
Verbas e Projetos: Visões Opostas
Em resposta, Zema defendeu sua gestão, afirmando que havia apresentado projetos que totalizavam R$ 9 bilhões, mas alegou que o governo federal somente liberou a execução de 3% desse montante, correspondendo a R$ 280 milhões. “É assim que o PT sempre tratou e continua tratando os mineiros”, declarou Zema em um vídeo postado em suas redes sociais.
O vice-governador de Minas, Mateus Simões (PSD), que deve concorrer ao governo no próximo pleito, também rebateu as declarações de Lula nas redes sociais, afirmando que as afirmações do presidente eram “uma sequência de mentiras”. Simões ressaltou que, após os deslizamentos, a única ajuda federal recebida foi a presença de militares do Exército em Juiz de Fora e que não houve repasse financeiro para áreas como a Saúde. Ele também criticou a gestão de Lula, cobrando a implementação de um programa habitacional para a população de baixa renda.
“Precisamos que o Minha Casa Minha Vida deixe de ser apenas uma propaganda e se torne uma realidade que traga mudanças na vida das pessoas. As moradias atuais não oferecem segurança alguma”, argumentou o vice-governador.
Implicações Políticas e Reações
Na visita de Lula à área afetada pelas chuvas no final de semana, ele esteve acompanhado por Rodrigo Pacheco, senador e um dos aliados do petista em Minas. Pacheco comparou a situação atual ao desastre ocorrido no Rio Grande do Sul em 2024, ressaltando que o governo estadual somente havia utilizado 4% da verba disponível para enfrentar a crise.
A discussão sobre recursos para prevenção ganhou ainda mais destaque após o GLOBO revelar que, entre 2023 e 2025, houve uma drástica redução de cerca de 96% nas despesas referentes ao programa de suporte às ações de combate aos danos provocados pelas chuvas, conforme dados do Portal de Transparência do estado. Essa revelação provocou reações na oposição ao governo Zema, levando a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) a apresentar uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando a investigação das responsabilidades do governador pela diminuição dos repasses.
Críticas e Acusações de ‘Pirotecnia’
Em um outro movimento, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a PGR contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) após um vídeo mostrar moradores reclamando que ele estava obstruindo os trabalhos de resgate em Ubá para gravar conteúdo. Em resposta, o deputado e seus apoiadores afirmaram que ele havia iniciado uma vaquinha online para arrecadar doações para as vítimas das chuvas. Lula também fez críticas indiretas a essa situação.
“Neste ano, vamos provar que fazer pirotecnia com o celular não resolve os problemas da sociedade. O cidadão que fica gravando e fazendo memes, brincando com a política, será desmascarado”, declarou Lula a jornalistas, destacando a importância de ações concretas em vez de aparições midiáticas.

