Polêmica no carnaval: Lula se posiciona
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou sua gratidão à Acadêmicos de Niterói pela homenagem prestada durante o desfile na Marquês de Sapucaí. No entanto, Lula deixou claro que não se considera responsável pelas escolhas artísticas da escola de samba e se recusou a opinar sobre os detalhes do espetáculo. O enredo, intitulado “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, culminou com a agremiação sendo rebaixada para a Série Ouro do carnaval carioca.
Durante uma entrevista realizada em Nova Délhi, na Índia, o presidente foi questionado sobre as críticas feitas por evangélicos a uma das alas do desfile, que apresentava o tema “Neoconservadores em conserva”, onde famílias estavam representadas em latas, incluindo referências religiosas. Em resposta, Lula afirmou: “Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa”.
Além disso, Lula ressaltou que o desfile foi uma homenagem à sua mãe, Dona Lindu, mencionando que seria um grande prazer se ela pudesse ouvir a música em sua homenagem. “É uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. A música é, na verdade, uma homenagem à minha mãe. É a saga dela de trazer a gente para São Paulo”, comentou.
O presidente prometeu que, ao retornar a São Paulo, fará uma visita pessoal à escola Acadêmicos de Niterói para expressar seu agradecimento. Contudo, é importante lembrar que a escola está localizada na cidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Críticas e repercussões
A ala dos conservadores “enlatados”, que foi uma das mais controversas do desfile, provocou reações negativas de políticos adversários e de várias instituições. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou a intenção de acionar o Ministério Público contra Wallace Palhares, que é o presidente da Acadêmicos de Niterói, por suposta “intolerância religiosa”. Além disso, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro expressou sua “preocupação” em relação ao uso de símbolos de fé cristã e da instituição familiar de maneira considerada ofensiva em manifestações culturais.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) também emitiu uma nota de repúdio em relação à situação. Em um cenário político mais amplo, o PL, partido que conta com Jair e Flávio Bolsonaro, protocolou na última quinta-feira (19) um pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar o financiamento do desfile da Acadêmicos de Niterói, alegando que a apresentação foi uma “explícita peça político-eleitoral, em ano eleitoral”. O partido argumenta que o desfile serviu como propaganda governamental e partidária, com atacadas a opositores em um evidente comportamento eleitoreiro.
Entre as alegações, o PL quer investigar se houve utilização de recursos públicos para financiar a escola de samba e se o Palácio do Planalto teve qualquer influência sobre o conteúdo do desfile. No contexto do espetáculo, a apresentação foi marcada pela exaltação às políticas sociais implementadas durante o governo Lula, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, além de críticas diretas a Bolsonaro, que foi retratado na comissão de frente como um palhaço preso. O samba-enredo também fez referência a um jingle de campanha de Lula, com o refrão “Olê, olê, olá, Lula, Lula”.
O que diz a Embratur
Em contato com a coluna de Malu Gaspar, a Embratur informou que destinou R$ 12 milhões aos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, disponibilizando R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas de samba. A autarquia ressaltou que não interfere nas escolhas dos sambas-enredo, enfatizando a importância da autonomia artística e da liberdade de expressão das agremiações.

