Uma Reflexão Necessária sobre Marcão
É urgente fazer justiça ao atleta Marcão. Há duas semanas, falamos sobre ele, o segundo empresário mais notório do Brasil, superado apenas pelo conhecido Neypai. Agente, pai, influenciador e filósofo popular, Marcão tem sido alvo de críticas injustas. Para alguns torcedores, ele representa a ambição excessiva, a malandragem descontrolada e, em última análise, o famoso jeitinho brasileiro.
Mas, vamos pensar bem… de que Brasil estamos falando? É aquele que se utiliza de viagens em jatinhos, que opera em escritórios relacionados, e que é sustentado por influenciadores com dinheiro? O mesmo país onde um corrupto confesso pede seu dinheiro de volta — e acaba recebendo? Ou estaremos falando de um mundo onde a mentira se tornou uma arma de destruição em massa?
A Lei de Gérson: Um Marco na Publicidade
Nos anos 80, o Gérson do futebol, nosso Canhotinha de Ouro, estrelou um comercial de cigarro icônico. O anúncio terminava com ele batendo um maço azul e branco em sua calva e declarando: “o cigarro pra quem gosta de levar vantagem em tudo”. A “Lei de Gérson” foi um momento brilhante da publicidade brasileira, revelando uma faceta descarada de nossa sociedade num tempo em que ainda havia um resquício de vergonha.
Esse sentimento de vergonha parece ter se dissipado. Atualmente, vivemos uma era de desfaçatez orgulhosa. O ignorante se orgulha de sua ignorância. O ladrão recomenda um filme. Figuras públicas ignoram códigos de ética. Hoje, um jogador faz um gol na mais absoluta facilidade e grita que mérito é dele. O VAR quase entra em campo celebrando.
O Descaso pela Verdade na Sociedade Atual
O conceito de verdade se tornou quase obsoleto. No cenário global, a desinformação reina. Uma ex-porta-voz do Governo Trump chegou a mencionar “fatos alternativos”. A porta-voz atual é ainda mais audaciosa: garante que o chefe não disse algo que foi gravado e transmitido.
As diversas bolhas sociais se agarram a suas narrativas, utilizando-as para desmerecer as outras. Surge, assim, uma nova categoria: o fanático otário. Ele pode ser de esquerda ou de direita, abraçar uma causa aqui ou rezar por um objeto ali. Pode defender o indefensável e ainda acreditar que bilhões de reais desaparecem do nada, atribuindo a culpa ao jornalismo. Pode até crer que contratos astronômicos caem do céu.
A Injustiça com Marcão
Como alguém pode criticar o atleta Marcão em meio a este contexto? Ele está dançando na cara do sistema. O futebol sempre teve seus espertos, e duas das três primeiras SAFs do Brasil já enfrentaram crises. Primeiro foi o Vasco, que teve que se reerguer na justiça. Agora, o Botafogo se vê em meio a um pacto difícil de entender. A FIFA levou um ano e meio para cortar as asas de John Textor e sua contabilidade criativa. Em 30 de dezembro, o clube divulgou uma nota oficial dizendo:
“O Botafogo espera resolver a situação antes do início ou logo no começo da janela de transferências. O Clube será muito ativo na contratação de jogadores em janeiro de 2026”.
Na nota anterior, John Textor garantia ter os recursos necessários para quitar as dívidas. Porém, tudo indica que esses recursos estavam aplicados no Banco Master. A malandragem-ostentação é a parte divertida deste nosso reality show. Ainda veremos Marcão clamando “Respira que é de graça” em algum desses encontros jurídico-econômicos do circuito.
O Ano da Copa e as Tradições no Futebol
Aliás, por falar em tradições, este é um ano de Copa — e isso, no Brasil, geralmente significa excursão. Desde tempos imemoriais, a CBF convida representantes dos três poderes para acompanhar a Seleção. Resta saber se a nova gestão fará alguma mudança nesse costume. E, claro, a grande questão: Marcão estará presente? A vida no futebol não tem replay.

