Desempenho Cultural em Números
A análise do desempenho cultural em diferentes estados brasileiros ganhou um novo suporte com a introdução do Índice de Cultura (ICult). Esta ferramenta, criada por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) como parte do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior (PPAC), foi finalizada em 2023 e visa oferecer uma métrica que permita comparar a situação cultural entre os estados do país.
Na elaboração do ICult, os pesquisadores utilizaram dados oficiais do IBGE e da Secretaria do Tesouro Nacional, compilando informações tanto institucionais quanto orçamentárias e de mercado. Os resultados revelam uma clara disparidade no desempenho cultural entre as diversas regiões do Brasil.
Ranking dos Estados com Maior Investimento Cultural
O Distrito Federal se destaca como líder no ranking com um índice de 0,613, um resultado que reflete principalmente os altos níveis de financiamento público e a vitalidade do mercado cultural na região. Logo atrás, São Paulo e Rio de Janeiro ocupam a segunda e terceira posições, com índices de 0,592 e 0,564, respectivamente, evidenciando o dinamismo cultural desses estados.
O Amazonas, com um índice de 0,481, também apresenta um desempenho positivo, estando entre os principais destaques fora do eixo Sul-Sudeste. O Rio Grande do Sul, com 0,450, completa o grupo dos cinco estados com os melhores índices.
Na faixa intermediária do ranking encontram-se estados como Ceará, Goiás, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Piauí, Santa Catarina e Pernambuco. Por outro lado, na parte inferior da lista, os estados com os menores índices são Alagoas, Roraima, Tocantins e Amapá.
Dimensões e Variáveis do Índice de Cultura
O ICult é construído a partir da análise de diversas variáveis organizadas em quatro dimensões principais, cada uma com pesos específicos que influenciam a composição do resultado final. Entre essas dimensões, destacam-se:
- Financiamento público (34,5%) — Refere-se aos gastos estaduais com cultura, ao apoio a atividades culturais e ao volume de projetos financiados.
- Mercado cultural (30,9%) — Considera o consumo das famílias em bens e serviços culturais, além da participação do setor cultural no total de ocupações.
- Instrumento político (18,4%) — Avalia a existência de legislação sobre patrimônio cultural e o funcionamento de conselhos de preservação.
- Infraestrutura (16,2%) — Engloba a oferta proporcional de bibliotecas, museus, teatros, centros culturais e outros equipamentos relevantes.
Com a sistematização desses dados, o ICult se torna uma importante ferramenta técnica que permite análises comparativas, além de fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento cultural regional.

