Estudo Inovador sobre Saúde Cardiovascular
A inteligência artificial (IA) mostra-se promissora na identificação do risco de doenças cardiovasculares em mulheres, utilizando como base as análises de mamografias. Este achado faz parte de um estudo recente promovido pela Sociedade Europeia de Cardiologia, que foi publicado na respeitada revista científica “European Heart Journal”.
Os pesquisadores descobriram que a IA é capaz de detectar o acúmulo de depósitos de cálcio nas artérias mamárias através de exames de raio-X, que são amplamente utilizados para o rastreamento de câncer de mama. É importante destacar que a calcificação arterial observada nas mamografias não está relacionada a tumores, mas pesquisas anteriores já associaram a presença de calcificações a fatores de risco cardiovascular e ao potencial desenvolvimento de doenças cardíacas no futuro.
Os dados apresentados no estudo sugerem que a aplicação da IA pode contribuir significativamente para a redução da quantidade de mulheres que possuem doenças cardiovasculares não diagnosticadas. Hari Trivedi, líder da pesquisa e membro da Emory University, ressalta que, embora a detecção de depósitos de cálcio fosse uma prática já conhecida, o foco do grupo era entender como essas informações poderiam auxiliar em diagnósticos precoces relacionados a doenças cardíacas. “Queríamos verificar se a IA poderia utilizar esses dados para identificar mulheres em risco de doenças cardiovasculares, sem que houvesse custos ou inconvenientes adicionais”, explica Trivedi.
Relação entre Calcificação e Risco Cardíaco
O estudo contou com a participação de mais de 123 mil mulheres que se submeteram a rastreamentos mamográficos e que não apresentavam doenças cardiovasculares previamente diagnosticadas. A IA foi utilizada para avaliar a quantidade de depósitos de cálcio nas artérias do tecido mamário, classificando a calcificação em quatro categorias: grande, moderada, leve ou ausente.
Após essa classificação, os pesquisadores compararam os dados com a incidência de doenças cardiovasculares severas, como acidente vascular cerebral (AVC) e infarto, além de informações sobre mortalidade decorrente de doenças cardíacas.
Os resultados revelaram diferentes níveis de risco associados ao estágio da calcificação: mulheres com calcificação leve apresentaram 30% mais chances de sofrer um evento cardiovascular grave; aquelas com calcificação moderada, 70% a mais; e as com calcificação intensa, de duas a três vezes mais propensas a enfrentar um evento cardíaco sério. “O que descobrimos é que quanto maior a quantidade de cálcio visível nas artérias mamárias em uma mamografia, maior é o risco da mulher sofrer um evento cardíaco grave, como infarto, AVC ou insuficiência cardíaca”, afirmou Trivedi.
Vale ressaltar que esse padrão de risco foi identificado mesmo entre mulheres mais jovens, com menos de 50 anos, um grupo geralmente considerado de baixo risco. Isso se manteve verdadeiro ao serem considerados outros fatores de risco, como diabetes e tabagismo.
Potencial para Diagnóstico Precoce
A técnica desenvolvida pela equipe de pesquisadores pode ser uma ferramenta valiosa no diagnóstico precoce de problemas cardíacos em mulheres, utilizando um exame que já é realizado rotineiramente para outras finalidades. Os cientistas afirmam que essa estratégia oferece uma forma prática de identificar mulheres que, atualmente, estão em risco cardiovascular e que podem estar passando despercebidas.
Para que essa abordagem se torne parte dos processos de diagnóstico, será necessário integrar a tecnologia de IA aos fluxos de trabalho de imagem convencionais e criar um sistema eficiente para notificar tanto pacientes quanto médicos. Além disso, o grupo possui planos de conduzir um ensaio clínico com o intuito de explorar novas etapas de implementação dessa tecnologia inovadora.

