Polêmica no Carnaval: Homenagem a Lula Gera Repercussão na Imprensa Internacional
No último domingo (16/2), o desfile da Acadêmicos de Niterói, que prestou homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o carnaval do Rio de Janeiro, atraiu a atenção de diversos veículos de comunicação internacionais. A apresentação, realizada no sambódromo da Sapucaí, contou com a presença de Lula, que assistiu ao espetáculo de um dos camarotes, embora não tenha participado ativamente do desfile. O gesto gerou preocupações no governo e no Partido dos Trabalhadores, que temem possíveis implicações eleitorais que possam afetar a candidatura à reeleição do presidente.
Um dos destaques da cobertura internacional foi o artigo do jornal argentino Clarín, que abordou como a homenagem foi alvo de críticas da oposição, que a considerou uma forma de propaganda eleitoral em ano de eleição. De acordo com o veículo, a oposição bolsonarista levantou questões sobre o uso de recursos públicos, uma vez que a Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 1 milhão do governo federal, quantia idêntica à destinada a outras doze escolas de samba do grupo especial do Rio.
A apresentação também foi marcada por controvérsias, como a exibição de imagens satíricas do ex-presidente Jair Bolsonaro durante os ensaios. A oposição argumentou que a exibição de tais conteúdos configurava uma antecipação de campanha, exigindo cortes no financiamento público da escola de samba. Contudo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, os pedidos da oposição para impedir o desfile. Mesmo assim, o governo e o PT orientaram seus apoiadores a evitar ações que poderiam resultar em complicações legais.
A agência de notícias Associated Press mencionou que, apesar de Lula ter obtido um ‘impulso de imagem’ durante o Carnaval, ele também se vê cercado por riscos legais. O texto ressalta que homenagens a Lula em desfiles de carnaval não são novidade, uma vez que figuras progressistas têm uma presença significativa nas festividades. O carnaval de 2003, quando Lula assumiu a presidência, viu a escola de samba Beija Flor homenageá-lo com um carro alegórico que retratava sua luta contra a fome.
Contudo, a homenagem neste ano, em um ciclo eleitoral, e sob o olhar atento do TSE, estabelece um cenário inédito. O TSE afirmou que, embora tenha rejeitado as denúncias da oposição, os juízes estão abertos a reavaliar a situação caso ocorram ações que infrinjam a legislação eleitoral durante o desfile. O futuro da presidência do Tribunal Eleitoral, que será liderado pelo ministro Kássio Nunes, indicado por Jair Bolsonaro, pode influenciar a condução do processo eleitoral, já que ele poderá ser responsável pela supervisão nas próximas eleições em outubro.
A Reuters descreveu o evento como uma ‘dor de cabeça’ para o presidente, ao relatar que Lula ficou emocionado ao saber que o desfile seria baseado em sua trajetória. No entanto, conforme o carnaval se aproximava, a homenagem começou a se tornar um incômodo político. Os ministros presentes foram instruídos a permanecer em seus lugares durante o desfile, evitando participar ativamente da celebração e se abster de qualquer manifestação pública vinculada às eleições nas redes sociais.
A agência France Press (AFP) trouxe uma perspectiva crítica ao notar que um robô metálico colossal representando Lula dominou a avenida do Sambódromo, gerando descontentamento por homenagear um presidente em exercício em um ano eleitoral. O desfile, que não mencionou explicitamente as eleições, também deixou clara sua posição política, com a música tema clamando ‘não à anistia’, uma referência direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta acusações de conspiração.

