A Celebração de 30 Anos de ‘Da Lata’
Na noite de ontem, 11 de abril, Fernanda Abreu fez sua estreia do show “Da Lata 30 anos” no Vivo Rio, provando que o ‘veneno da lata’ de seu álbum lançado em 1995 ainda continua a fazer efeito. Com um setlist que explorou o batuque samba-funk, a cantora trouxe à tona o suingue que a consagrou no cenário musical brasileiro, mesmo após 31 anos.
O evento faz parte de um projeto multimídia que homenageia as três décadas da obra, que inclui documentário, livro, edição especial em LP e um remix inédito da icônica faixa “Garota sangue bom”. Este show deu início à programação da edição 2026 do Queremos! Festival, oferecendo ao público uma viagem nostálgica ao passado musical do Brasil.
A Magia do Show no Vivo Rio
Com o Rio de Janeiro sendo sua cidade natal, o palco da estreia tinha que ser aqui. Essa metrópole, marcada por contrastes sociais e intensamente musical, é o berço do batuque samba-funk que Fernanda Abreu se apropriou para criar uma sonoridade única em “Da Lata”. O repertório também incluiu hits como “Babilônia rock”, uma composição de Lincoln Olivetti, Robson Jorge e Guto Graça Mello, que fez o público vibrar.
Fernanda se apresentou acompanhada de uma banda robusta, composta por músicos talentosos como o guitarrista Billy Brandão, o percussionista Jovi Joviniano e o baterista Tuto Ferraz. O vocalista e dançarino Che Leal trouxe uma presença vibrante ao palco, complementando a performance da artista. Juntos, eles revisitaram a estética visual da artista dos anos 90, por meio de figurinos e projeções que trouxeram de volta a essência daquela época.
O ponto alto da apresentação foi quando o público se uniu em um coro entusiasmado durante o refrão de “Garota sangue bom”, uma homenagem ao carinho que a cantora conquistou ao longo de sua carreira. E apesar de alguns desafios técnicos, como microfonia e dificuldades para ouvir os instrumentos, a energia do show permaneceu inabalável. A combinação de imagens antigas do álbum e a performance contagiante de Fernanda encantaram a plateia.
Revival e Novidades no Show
O repertório também fez menção a outros álbuns da carreira de Fernanda. O álbum “Sla radical dance disco club” (1990) foi lembrado com o revival de clássicos como “A noite”, além da balada “Você pra mim”, que foram projetadas no telão enquanto a cantora se apresentava. Esses momentos trouxeram uma nova camada à celebração, mostrando a evolução da artista ao longo dos anos.
Em um momento mais introspectivo, Fernanda apresentou um set de R&B que ela chamou de “baile charm”, destacando canções mais lentas como “Dois” e “Um dia não outro sim”, que trouxeram um toque suave à noite. Porém, o clima animado foi rapidamente retomado com sucessos como “Rio 40 graus” e “Kátia Flávia, Godiva do Irajá”, levando a plateia a um frenesi de dança.
Um Final Explosivo e Emocionante
Para encerrar a apresentação, dois pot-pourris foram realizados: um com músicas que remetiam ao universo black Rio dos anos 70 e outro com funks cariocas. O grande final foi marcado pelo samba-enredo de 1982 “É hoje”, reinterpretado em ritmo de funk e que fez parte do álbum “Da Lata”. Essa releitura trouxe uma explosão de alegria, evidenciando que o batuque samba-funk de Fernanda Abreu permanece vibrante e relevante.
Ao final da noite, ficou claro que, como se dizia nos anos 90, o batuque de Fernanda ainda é da lata. A apresentação não só relembrou os grandes sucessos da artista, como também reafirmou seu lugar como ícone da música brasileira, capaz de unir diferentes gerações em torno de um som contagiante e marcante.

