Obras Sob Suspeita e Indícios de Influência Politica
Novas informações reveladas mostram que a empresa Atec, ligada a Guilherme Bocão, filho da subsecretária de Educação do Estado do Rio de Janeiro, recebeu cerca de R$ 11,4 milhões para obras em escolas. Esses contratos, conforme documentos obtidos, foram celebrados em parte sem o devido processo de licitação, o que levanta suspeitas sobre a legalidade das transações.
Guilherme Bocão, que esteve inserido no gabinete do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, entre 2022 e fevereiro do ano passado, é apontado como um dos influentes na pasta da Educação. Bacellar, que pertence ao União Brasil, é creditado como o responsável pela indicação de Roberta Barreto, a então secretária de Educação, que foi exonerada recentemente.
Nos últimos meses, a equipe do RJ2 entrevistou vários servidores e ex-servidores da Secretaria de Educação, muitos dos quais preferiram permanecer no anonimato por medo de retaliações. Esses relatos indicam que, apesar de Bocão não ocupar um cargo oficial no Executivo, sua influência na secretaria é considerada significativa.
Influências e Denúncias de Irregularidades
Outro nome que surgiu nas investigações é o de Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, genro da secretária Roberta Barreto. Informações de colegas de trabalho sugerem que ele também exerceu influência na secretaria, mesmo sem uma nomeação formal.
Por sua vez, Alberes Batista Junior, proprietário da Atec, contesta as alegações de que Guilherme Bocão seja sócio oculto ou representante da empresa. Ele afirma que a Atec é uma construtora autônoma, onde ele realiza pessoalmente a supervisão e execução das obras. “A empresa é minha há 20 anos. Não sou intermediário, sou eu quem cuida de tudo aqui. Os contratos são todos assinados por mim”, declarou.
Acusações feitas pelo deputado Flávio Serafini (Psol) afirmam que demandas simples para pequenos reparos teriam sido transformadas em grandes projetos, resultando em gastos exorbitantes. Os pagamentos foram realizados através do sistema descentralizado da Secretaria de Educação, que recebeu, apenas nos últimos dois anos, cerca de R$ 1 bilhão.
Investigações em Curso e Reformas Questionáveis
A Atec foi incumbida de realizar obras no Colégio Estadual José Rascão, localizado em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos. Embora a Coordenadoria de Engenharia da secretaria tenha solicitado uma reforma completa do telhado, o pedido não foi originado pela própria escola, e o custo da obra ultrapassou R$ 1,5 milhão. Entretanto, um relatório de vistoria indicou que muitos serviços não foram executados conforme o planejado. O proprietário da Atec garantiu que sua relação com o filho da subsecretária não teve influência nas contratações feitas pela secretaria.
No dia 23 de outubro, o RJ2 procurou a Secretaria de Educação para obter mais esclarecimentos sobre as irregularidades levantadas. No dia seguinte, foi publicada a exoneração da secretária Roberta Barreto no Diário Oficial. Em sua justificativa, ela declarou que decidiu deixar o cargo para se dedicar aos preparativos para o processo eleitoral, surpreendendo a todos ao antecipar sua saída, dois meses antes do prazo estipulado pela legislação.
Em resposta às alegações sobre a conexão entre o filho da subsecretária e a Atec, a Secretaria de Educação enfatizou que todas as decisões administrativas são tomadas apenas por agentes públicos devidamente designados.

