A Discussão sobre a Eleição Indireta
Aliados do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), estão avaliando a possibilidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar as regras estabelecidas para uma eventual eleição indireta ao governo do estado. Essas normas estão em pauta na direção do PSD, partido liderado por Paes e que figura entre os candidatos ao governo estadual neste ano. A proposta que regulamenta essas regras foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) na última quarta-feira. Entre os pontos controversos, destaca-se um prazo flexível para que os interessados deixem seus cargos na administração pública e também a mais ampla participação dos partidos na escolha dos candidatos.
Contexto da Eleição Indireta
A possibilidade de uma eleição indireta só ocorrerá se o atual governador Cláudio Castro (PL) optar por renunciar ao cargo. Castro está considerando essa saída para concorrer ao Senado, e o prazo final para essa decisão é 4 de abril, seis meses antes das eleições diretas marcadas para 4 de outubro. Caso a renúncia se concretize, a Alerj convocará a eleição indireta um mês depois.
As regras recentemente aprovadas pela Alerj podem complicar a candidatura de Nicola Miccione (PL), secretário estadual da Casa Civil e considerado o candidato favorito de Castro. A escolha do novo governador pelos 70 deputados estaduais resultaria em um mandato-tampão até 2026.
Controvérsias nas Regras Aprovadas
O deputado Luiz Paulo, decano da Alerj e filiado ao PSD, levantou uma objeção na Comissão de Constituição e Justiça em relação ao prazo de desincompatibilização para os cargos, que permite que candidatos deixem suas funções apenas 24 horas após a renúncia de Castro. Luiz Paulo defende que esse prazo seja de seis meses, em consonância com o que se aplica nas eleições diretas, o que impediria a candidatura de Miccione e de outros potenciais concorrentes para o mandato-tampão, como Douglas Ruas (PL) e André Ceciliano (PT).
“Assim que o projeto for sancionado e se transformar em lei, meu partido levará essa questão ao STF. O prazo de desincompatibilização deve ser de seis meses, conforme a jurisprudência do Supremo”, comentou o parlamentar, que já discutiu a situação com o deputado federal Pedro Paulo, presidente estadual do PSD e aliado próximo de Paes.
Complexidade das Disputas Internas
Paes, que será candidato na eleição direta, tem a intenção de evitar que um adversário assuma a máquina pública por meio da eleição indireta, o que poderia favorecer esse rival na disputa de outubro. A aceitação da candidatura de Nicola pela máquina do governo foi vista com bons olhos por Paes, pois ele não se apresentaria como um concorrente direto em outubro. Contudo, dentro do PL, sua candidatura não é unanimidade, com figuras como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Altineu Côrtes (PL) preferindo apoiar Douglas Ruas.
Efeitos Potenciais da Judicialização
A disputa interna no PL e as controvérsias nas regras estabelecidas pela Alerj também impactam os planos do PT, que busca um alinhamento com Paes. A cúpula petista teme que a candidatura de Ceciliano na eleição indireta prejudique suas chances em outubro. O recente histórico de eleições indiretas no Brasil, como a de Alagoas em 2022, quando as regras foram questionadas no STF, sugere que a judicialização pode atrasar a escolha de um governador-tampão. Essa situação poderia ser estratégica para Paes, já que poderia reduzir o tempo de um eventual adversário no cargo.
Enquanto a Alerj não eleger um novo governante, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Ricardo Couto, manterá a posição interina no Palácio Guanabara, refletindo a incerteza e as complexidades políticas que permeiam o cenário atual.

