A Confirmação da Pré-Candidatura
No último sábado (17), durante uma visita a Santo Antônio de Pádua, Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, confirmou pela primeira vez sua pré-candidatura ao governo do estado. Até então, Paes havia negado categoricamente a possibilidade de deixar a prefeitura para concorrer ao cargo, apesar de aliados já considerarem essa hipótese desde sua reeleição em 2024. “Sou pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro”, declarou ele em coletiva após a primeira reunião do ano com seu secretariado municipal.
Paes mencionou que tem dialogado com diversas lideranças políticas do estado, ressaltando uma conexão natural com os prefeitos, uma vez que ocupa uma posição semelhante. “Acredito que existe uma angústia coletiva em relação a um sistema político que tem prejudicado o Estado”, acrescentou o prefeito à imprensa.
Reflexões sobre a Liderança no Estado
Ao discutir seus planos, o prefeito reconheceu que sua candidatura já era uma possibilidade amplamente discutida. “O Estado carece de liderança política e de uma gestão que tenha autoridade e conduta correta para desenvolver políticas públicas eficazes”, afirmou, sinalizando que a ideia de concorrer ao governo já circulava em sua mente há algum tempo.
Na coletiva, Paes indicou que sua decisão está “praticamente tomada”, mas que uma definição oficial deve ocorrer após o Carnaval. Fontes próximas ao prefeito afirmam que sua pré-candidatura já está consolidada e que ele deve se afastar de suas funções na prefeitura em meados de março para se dedicar à campanha para o governo do Rio.
Uma Trajetória de Disputas
Essa será a terceira vez que Paes tenta conquistar o cargo de governador do Rio. Sua primeira tentativa ocorreu em 2006, quando obteve apenas 5,3% dos votos e ficou em quinto lugar. Na segunda chance, em 2018, ele avançou para o segundo turno, mas foi derrotado por Wilson Witzel.
Desde seu retorno ao cargo de prefeito, um feito inédito na história da cidade, Paes tem se empenhado em estabelecer alianças políticas em todo o estado. Durante sua visita a Santo Antônio de Pádua, ele foi interrompido pelo prefeito local, Paulinho da Refrigeração (MDB), que comentou que Paes estava no interior para “visitar cidades”. Paes, então, retificou: “É uma inverdade. Estou em pré-campanha, buscando apoio para minha candidatura a governador”.
Justificativas e Críticas
Com a confirmação de sua pré-candidatura, Paes reiterou os argumentos que sua equipe vinha preparando para justificá-la. Aliados estavam alinhando um discurso que destacaria a necessidade de liderança política, a convocação popular para a candidatura e a importância de um vice que possa continuar seu trabalho na prefeitura. Em suas falas, o prefeito abordou também a crise de segurança pública que aflige o estado.
“Chega um momento em que você se sente convocado a ser candidato. Isso é perceptível nas ruas, nas conversas com os cidadãos, não apenas com líderes políticos ou jornalistas”, enfatizou Paes, destacando a urgência de uma abordagem eficaz para a crise no Rio.
Visão para o Futuro
Sobre a questão da segurança, Paes defendeu que há soluções, mas rejeitou a ideia de delegar a responsabilidade a “grupeiros políticos” ou a abordagens que não envolvam um comando forte do governador. Ele criticou governantes que fazem promessas irresponsáveis sobre a segurança, insinuando que as práticas atuais não têm surtido efeito positivo no estado.
Além disso, Paes reafirmou sua fidelidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto busca uma aliança ampla no Rio. “Vou buscar a aliança mais abrangente possível. O estado precisa de união e, mesmo que alguns aliados não compartilhem de minha opinião, é vital para o Rio”, ressaltou.
Pelas suas declarações, fica evidente que Eduardo Paes está se preparando para um desafio significativo em sua carreira política, buscando não apenas apoio, mas também uma nova visão para um estado que enfrenta dificuldades históricas.

