Desdobramentos da Aliança Política no Rio de Janeiro
O PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, recentemente anunciou a formação inicial de sua chapa para as próximas eleições no governo do Rio de Janeiro. O deputado estadual licenciado e atual secretário de Cidades, Douglas Ruas, foi escolhido como candidato ao governo. Ao seu lado, Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu e membro do Progressistas, assumirá a vice-candidatura. Essa decisão, que ainda pode sofrer alterações até o início da campanha, ocorre em um cenário de incertezas sobre a disputa que se aproxima, embora Ruas se apresente como a principal aposta do partido.
Após uma reunião crucial com Flávio Bolsonaro na sede do PL em Brasília, foram também divulgados os nomes que disputarão as vagas ao Senado. O atual governador, Cláudio Castro (PL), que enfrenta um processo de cassação, e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), estão entre os pré-candidatos. Além deles, Flávio ainda conseguiu posicionar sua mãe, Rogéria Bolsonaro, como suplente de Canella, fortalecendo a presença do clã na política regional.
Fortalecendo a Aliança em um Ambiente Político Conturbado
A aliança entre os três partidos que dominam as prefeituras do estado oferece ao PL uma robusta plataforma política, especialmente em um contexto onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliado de Eduardo Paes, enfrenta um alto índice de rejeição na região. O PL aposta na associação do prefeito carioca ao petista, buscando capitalizar essa dinâmica no cenário eleitoral.
Antes do encontro em Brasília, os líderes da nova aliança se reuniram no Rio para definir a estrutura da chapa e planejar a viagem. Durante a reunião na capital federal, os pré-candidatos a diversos cargos, além de dirigentes como Altineu Côrtes e o senador Bruno Bonetti, discutiram estratégias e alinharam as expectativas para os próximos passos.
Flávio Bolsonaro elogiou Ruas, destacando seu trabalho na Secretaria de Cidades e seu respeito na política local: “Douglas é uma grande liderança, jovem, policial civil, e realizou um trabalho extraordinário. É uma pessoa respeitada e que conta com o respaldo dos partidos que estão se unindo a esse projeto”.
Desafios e Possíveis Consequências da Eleição Indireta
Com a confirmação da candidatura de Castro ao Senado, o estado do Rio de Janeiro se prepara para um cenário de dupla vacância de poder. O ex-vice-governador Thiago Pampolha foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas, o que significa que os deputados estaduais terão que escolher um governador-tampão. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio deverá intervir temporariamente no Palácio Guanabara, convocando uma eleição indireta em até 30 dias.
O Tribunal Superior Eleitoral, por sua vez, programou para 10 de março o julgamento do caso Ceperj, que pode resultar na cassação de Castro e torná-lo inelegível, devido a acusações de abuso de poder político durante a eleição de 2022. O governador está tentando adiar o desenrolar do caso por meio de um pedido adicional de vista, o que pode prolongar ainda mais a incerteza sobre seu futuro político.
Os participantes da reunião recente indicaram que a definição do candidato para a eleição indireta será feita mais próximo do prazo. Castro tenta emplacar o secretário de Casa Civil, Nicola Miccione, como uma alternativa, mas Flávio e o grupo de Altineu preferem que Ruas fique como candidato para a votação na Alerj. A estratégia é que, ao conquistar a cadeira de governador, Ruas possa liderar a administração, encarando a campanha contra Paes em posição vantajosa.
O Papel de Douglas Ruas na Disputa Eleitoral
Ruas, que é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, possui uma significativa base eleitoral, já que seu município é o terceiro maior colégio eleitoral do estado. Nos últimos meses, Ruas expressou a aliados que só aceitaria concorrer contra Eduardo Paes se estivesse no cargo de governador. Antes de assumir funções estaduais, ele liderou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais em São Gonçalo, desempenhando um papel crucial na captação de recursos do governo federal e estadual.
Como inspetor concursado da Polícia Civil desde 2013, embora não possua um histórico diretamente operacional, sua ligação com a segurança pública será uma peça importante na campanha do PL. Ele se licenciou da corporação em 2019 para assumir um cargo em uma superintendência do Instituto Estadual do Ambiente, após indicação de Altineu, com foco em projetos integrados.
Rogério Lisboa, que agora integra a chapa do PL, era considerado um forte candidato à vice de Paes, mas a pressa do prefeito em garantir apoio levou a uma rápida mudança de alianças. As negociações entre o Progressistas e o União Brasil são essenciais para a formação de uma federação partidária no estado. A liderança do bloco no Rio está a cargo do União, representado por Antonio Rueda.
Após ser oficialmente indicado como pré-candidato do PL, Ruas afirmou que sua candidatura é fruto de um consenso estabelecido entre o partido e a federação aliada.

