Paes Admite Pré-Campanha Para o Governo do Estado
Após meses de especulação, Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro pelo PSD, confirmou sua intenção de concorrer ao governo do estado nas eleições de 2026. Durante uma visita ao município de Santo Antônio de Pádua, no Noroeste Fluminense, no último sábado, Paes declarou de forma clara que deseja “os votos para governador”. Para formalizar sua candidatura, o político terá que renunciar ao cargo de prefeito até o início de abril.
Utilizando um tom descontraído, Paes interrompeu o discurso do colega Paulinho da Refrigeração, do MDB, que apresentava a presença do prefeito da capital como parte de um “trabalho de visitar as cidades do interior”. O prefeito não hesitou em afirmar: “É mentira, não estou fazendo trabalho de visitar cidades do interior. Eu estou fazendo pré-campanha, porque quero os votos para governador e quero o apoio do Paulinho. Pronto, falei,” conforme divulgado em um vídeo pelo perfil “nabocadopovorj” nas redes sociais.
Durante sua passagem pelo Norte e Noroeste fluminenses, Paes visitou cinco municípios, promovendo encontros com autoridades locais e empresários, numa estratégia de ampliar sua base de apoio em áreas com fragilidade eleitoral, como a Baixada Fluminense e o interior do estado.
Movimentação Política e Aliados em Foco
Embora já estivesse articulando alianças para a eleição de 2026, Paes não havia declarado oficialmente sua candidatura até agora. Em uma reunião do Conselho da Cidade, em agosto, ele já havia insinuado seus planos ao mencionar que seu vice, Eduardo Cavaliere, se tornaria o “prefeito mais jovem” da cidade, indicando que ele mesmo planejava sua saída para concorrer.
A busca por apoio é uma prioridade para Paes, que já enfrentou duas eleições para o governo do Rio, em 2006 e 2018, sendo derrotado na última pelo bolsonarista Wilson Witzel, que teve uma ascensão inesperada nas pesquisas na reta final. Para evitar surpresas, Paes tem se esforçado para aproximar-se de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado, o que gerou tensões com o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já manifestou interesse em apoiá-lo.
Recentemente, conforme noticiado pela newsletter “Jogo Político”, Paes fez uma viagem a Brasília para um encontro com Lula, buscando reconciliar os laços entre eles. Essa conversa se deu após o secretário de Assuntos Parlamentares do ministério de Relações Institucionais, André Ceciliano, do PT, aventar a possibilidade de se candidatar ao governo do estado.
Diálogo e Compromissos com o PT
No encontro, Paes informou a Lula que deixará a prefeitura no dia 20 de março para se lançar na corrida pelo Palácio Guanabara. Ele também se comprometeu a apoiar a deputada Benedita da Silva, do PT, em sua candidatura ao Senado. Essa movimentação representou um recuo nas pretensões de Paes, que tentava formar uma chapa com o apoio de Lula, mas sem abrir espaço para figuras do PT.
Além das divergências sobre as indicações para a chapa, o PT manifestou descontentamento com Paes por conta de elogios do prefeito ao pastor Silas Malafaia, aliado de Bolsonaro, o que não agradou a militância petista. Outro ponto de tensão foi uma declaração de Paes em um evento na Baixada Fluminense, onde indicou que caminharia nas eleições ao lado do deputado federal Altineu Côrtes, do PL, próximo ao ex-presidente e ao governador Cláudio Castro, também do PL.

