Eduardo Cunha: A Nova Fase de um Político Controverso
Após um período tumultuado marcado por escândalos, o ex-deputado federal Eduardo Cunha deseja se reintegrar ao cenário político em 2026. Em mensagem aos seus seguidores na virada do ano, Cunha usou um versículo do Livro de Isaías para transmitir sua esperança em um futuro melhor: “Esqueçam o que se foi; não vivam no passado. Vejam, estou fazendo uma coisa nova!” Essa frase ilustra seu desejo de reescrever sua trajetória após a cassação e prisão, consequências diretas de sua atuação na Lava-Jato.
A nova fase de Cunha se inicia em Minas Gerais, onde ele se mudou e adquiriu várias emissoras de rádio, muitas delas de viés evangélico. Ele também está investindo em parcerias, como o patrocínio do Uberaba Sport Club, time da segunda divisão do Campeonato Mineiro. “Mudei de residência, vida profissional, era natural que mudasse minha vida política”, afirmou, destacando que a mudança de domicílio eleitoral evita uma disputa direta com sua filha, Dani Cunha, que busca reeleição à Câmara.
Efeito da Influência Familiar e Retorno ao Poder
Apesar de estar fora do mandato há quase uma década, Cunha segue influente. Recentemente, ele “direcionou” uma emenda de 1,05 milhão de reais para João Pinheiro, uma cidade mineira. Embora oficialmente a verba tenha sido atribuída ao líder do Republicanos na Câmara, a cidade reconheceu Cunha como responsável pela liberação em um vídeo nas redes sociais. Em Brasília, sua filha Dani também tem sido uma voz ativa ao ressuscitar uma polêmica emenda que pode restringir direitos relacionados ao aborto.
Ainda que a inelegibilidade de Cunha tenha sido um obstáculo, o período de exclusão termina no início de 2027, o que abre portas para que ele candidate-se novamente. Analisando seu passado recente, Cunha acredita que sua cassação foi resultado de um processo político motivado por desavenças com figuras proeminentes, como o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “Ele não me deu os mesmos direitos que o Glauber Braga teve agora”, comparou, referindo-se a um deputado que passou por uma suspensão temporária.
Discurso e Estratégia de Campanha
Cunha apresenta-se como um candidato necessário ao Congresso em tempos incertos. Ele destaca suas habilidades de articulação e seu papel em votações complexas, embora a gestão atual da Câmara sob Hugo Motta, considerado um aliado, seja marcada por um estilo diferente. “Não sou apóstolo para ter discípulos”, afirmou, em um momento que reflete sua visão de liderança.
Além disso, sua trajetória no impeachment de Dilma Rousseff deixou marcas profundas, e ele se posiciona agora como o político que compreende as complexidades da dinâmica legislativa. No entanto, sua história judicial também é um ponto a ser considerado. Depois de ser afastado por decisões do Supremo Tribunal Federal e enfrentar a prisão, Cunha foi finalmente liberado em 2020, após um regime domiciliar durante a pandemia. A recente anulação de sua condenação pelo STF marca um novo capítulo em sua vida.
O Desafio do Retorno e a Busca por um Novo Partido
Cunha já teve uma tentativa frustrada de voltar ao Congresso em 2022, quando se candidatou por São Paulo, mas obteve apenas 5.044 votos. Agora, ele começa sua busca por um novo partido, já que não pretende continuar no Republicanos. Ele enfrenta desafios adicionais, como o processo judicial contra o senador Cleitinho Azevedo, que questionou publicamente o apoio da população a Cunha.
O ex-presidente da Câmara está otimista quanto ao apoio do eleitorado, mas o tempo mostrará se os eleitores realmente esqueceram seu passado conturbado. Com a eleição se aproximando, Cunha repetidamente pede que o público deixe para trás os erros do passado e olhe para um futuro que ele busca construir com novas bases.

