Desafios e Oportunidades na Economia de Mato Grosso
A economia de Mato Grosso, que representa um terço da impressionante safra de grãos do ano passado, continua a mostrar sinais de expansão. O setor agropecuário, em conjunto com investimentos em agroindústria, é o principal motor dessa trajetória, mesmo diante de desafios internacionais e problemas logísticos que afetam a exportação e o escoamento da produção agrícola.
Embora o Produto Interno Bruto (PIB) do estado esteja projetado para registrar uma queda de aproximadamente 2,2% neste ano, segundo dados da Resenha Regional do Banco do Brasil, essa retração é vista como uma correção natural após anos de crescimento robusto. Em 2025, o PIB de Mato Grosso cresceu 6,4%, um número que se destaca em comparação ao desempenho nacional.
Júlio César da Cunha Lopes, economista responsável pela pesquisa, explica que a desaceleração do PIB é consequência de uma safra excepcional em 2024/2025. “O estado tende a continuar sua trajetória de crescimento em 2026. A alteração de 6,4% para 2,2% ocorre porque o ano passado teve uma safra extraordinária, e neste ano enfrentamos um cenário de correção. Estimamos que o PIB agropecuário esteja em 18,5% no estado, algo muito sólido, indicando que a queda é esperada, mas compensada em outros setores”, afirma Lopes.
Transição Energética e Diversificação da Economia
Outro setor que promete impulsionar a economia é o de energia. Lopes destaca que o Brasil está passando por uma transição energética significativa. Ele menciona que, no ano passado, ocorreu a implementação de uma nova fórmula para a gasolina, aumentando o percentual de álcool de 27% para 30%. Isso posiciona Mato Grosso como um protagonista nessa transição, dada sua capacidade de produção de biocombustíveis. “Estamos testemunhando um processo de diversificação na economia”, acrescenta.
A diversificação econômica também é evidenciada pelo crescimento nas indústrias e serviços. A pesquisa indica que a produção de etanol de Mato Grosso deve se consolidar como referência nacional em biorrefinarias, um segmento que continua a se expandir, mesmo com a expectativa de queda na produção agrícola devido à diminuição da safra.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há uma previsão de redução de 1,8% na safra de grãos em relação ao ano anterior, passando de 346,1 milhões de toneladas para 339,8 milhões de toneladas.
Impacto do Agronegócio na Economia do Estado
Os dados utilizados na pesquisa possuem certa defasagem, uma vez que a última atualização dos PIBs regionais foi realizada em 2023. Contudo, Lopes reforça que o agronegócio permanece como o pilar da economia mato-grossense. “Praticamente 40% da economia do estado é gerada na porteira, com a agricultura e pecuária, e quase 50% da produção industrial depende do agronegócio. Além disso, 10% são oriundos de biocombustíveis, todos interligados ao setor agro”, explica.
No cenário internacional, a relevância de Mato Grosso se destaca ainda mais. Marcelo Rebelo, economista-chefe do Banco do Brasil, menciona a importância do estado na economia global, especialmente no quesito segurança alimentar. “Não consigo imaginar a economia mundial sem Mato Grosso. A demanda por alimentos deverá crescer até 2050, especialmente na África e na Ásia, que enfrentam dificuldades na produção. Assim, os grandes produtores, incluindo Mato Grosso, terão um papel essencial”, analisa Rebelo.
Fernando Henrique Dias, professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), acrescenta que o estado está vivendo um cenário de pleno emprego, o que justifica seu crescimento econômico. “Enquanto a economia nacional deve crescer entre 2% e 2,5%, Mato Grosso deverá superar essa média, impulsionado pelo agronegócio e pelos investimentos na cadeia produtiva”, argumenta.
Esse panorama é reforçado por Lopes, que ressalta que Mato Grosso tem sido o estado que mais cresce no país na última década, com uma taxa média de crescimento de 3,7%, em contraposição aos 0,6% do Brasil. O estado também se destaca em sua estrutura fiscal e nas transformações no setor energético, que o posicionam favoravelmente para o futuro.
Nos próximos anos, Lopes projeta que a economia mato-grossense continuará a se integrar com outras regiões e a superar os desafios logísticos. “Quanto mais a economia de Mato Grosso se conectar com outras economias regionais e resolver esses gargalos, mais o estado poderá continuar seu processo de crescimento, atraindo novos investimentos e mão de obra qualificada”, conclui.

