Aliança Política e Definições em Curso
O Partido Liberal (PL) anunciou a candidatura de Douglas Ruas para o cargo de governador-tampão do Rio de Janeiro, estabelecendo um palanque sólido para Flávio Bolsonaro, em meio a alianças com os principais partidos do estado. De acordo com fontes ligadas à coalizão, a escolha sobre o candidato para a eleição indireta, prevista para ocorrer em breve, será feita mais próximo do prazo legal. Embora Ruas seja considerado a principal opção, a preferência do atual governador Cláudio Castro recai sobre o secretário de Casa Civil, Nicola Miccione. Contudo, o grupo que apoia o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Altineu Côrtes, juntamente com Flávio Bolsonaro, defende a candidatura de Ruas desde já.
Recentemente, o PL também anunciou que Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, será candidata a suplente no Senado, reforçando a estratégia de fortalecimento político da sigla no estado. A movimentação acontece em um contexto delicado, em que a suposta prática de rachadinha levou o Ministério Público a reabrir investigações contra Carlos Bolsonaro, demonstrando a tensão entre as forças políticas.
Cenário de Dupla Vacância e Processo Eleitoral
Em meio a tudo isso, a situação política do Rio de Janeiro se torna ainda mais complexa. Com Castro manifestando interesse em concorrer ao Senado, o estado se aproxima de uma dupla vacância, uma vez que o vice-governador Thiago Pampolha assumiu uma posição no Tribunal de Contas do Estado. Nesse contexto, caberá aos deputados da Assembleia Legislativa do Rio eleger um governador-tampão, após o presidente do Tribunal de Justiça assumir interinamente o Palácio Guanabara.
Entretanto, antes que essa eleição ocorra, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma o julgamento do caso Ceperj no dia 10 de março, uma situação que pode resultar na cassação de Castro e em sua inelegibilidade. O governador enfrenta acusações de abuso de poder político e econômico na eleição de 2022, envolvendo supostas contratações fantasmas de cabos eleitorais.
Composição da Chapa e Alianças Políticas
Foi nesse cenário que o PL se reuniu em Brasília na última terça-feira para definir a composição inicial da chapa para a disputa estadual. Se o plano for mantido até a campanha, Douglas Ruas disputará o governo com Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, pelo Progressistas, como seu vice. Lisboa, que já havia sido cogitado por Paes, do PSD, agora figura como um nome importante na nova aliança.
Além disso, foram anunciados outros pré-candidatos ao Senado, incluindo o próprio Cláudio Castro e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, do União Brasil. Dentro dessa articulação, Flávio Bolsonaro indicou sua mãe, Rogéria, como suplente de Canella, uma estratégia que visa fortalecer a base de apoio no reduto político do bolsonarismo, onde o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta forte resistência.
A movimentação política se intensificou após o prefeito do Rio formalizar uma parceria com o MDB, ao anunciar Jane Reis, irmã do dirigente Washington Reis, como candidata a vice. Essa decisão foi interpretada pela direita como um impulso necessário para revitalizar o campo conservador e acelerar as negociações em busca de alianças.
Douglas Ruas: Trajetória e Desafios
Com uma trajetória política que inclui ser filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, Ruas é visto como um ativo importante na região metropolitana leste do estado, que possui o terceiro maior colégio eleitoral do Rio. Ele é inspetor da Polícia Civil desde 2013 e se licenciou em 2019 para assumir uma superintendência no Instituto Estadual do Ambiente, indicado por Altineu Côrtes.
Antes de sua entrada na política estadual, Ruas comandou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais em São Gonçalo, onde desempenhou um papel crucial na captação de recursos federais e estaduais. Na véspera da eleição de 2022, quando foi eleito deputado, sua cidade se destacou entre as que mais receberam verbas do orçamento secreto, uma modalidade que foi considerada inconstitucional posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal.
Lisboa, por sua vez, que agora figura como pré-candidato do PL, era até recentemente visto como um potencial vice na chapa de Paes, com quem mantém uma boa relação. No entanto, membros do Progressistas expressaram preocupações quanto à celeridade do fechamento de acordos com o MDB, uma vez que o apoio político também depende da colaboração com o União Brasil, sob a liderança de Antonio Rueda no estado.
Após ser indicado como pré-candidato do PL, Douglas Ruas destacou que essa decisão surgiu de um consenso entre as lideranças, sinalizando um movimento estratégico em um cenário político em constante mudança.

